Surgiu publicado no site Aportes da Igreja, pelo Padre José Victorino Andrade, um artigo intitulado “O Reiki e a New Age: perigosos e incompatíveis com o cristianismo”.

Ao escrever este artigo de resposta, faço-o como Presidente da Associação Portuguesa de Reiki, como praticante de Reiki, como cidadão e como pessoa.

O artigo do Padre Andrade, denota um estudo das várias correntes atuais, espirituais e filosóficas, assim como uma observação da sociedade, mas infelizmente, alguns pontos estão imprecisos.

Este foi o seu artigo, colocado no site Aportes da Igreja.

Não é por acaso que o Papa Francisco condenou mais do que uma vez a New Age e tudo o que deriva dela.* Num mundo em que deixamos de valorizar uma verdade externa, adogmático, de ideais ecológicos e pacifistas, onde o renascimento religioso, depois de um laicismo tiranizante e de um vazio espiritual jamais superado pelos bens temporais e pelas novas descobertas científicas, deixou os homens ainda mais permeáveis a espiritualidades confortantes e confortáveis, a Nova Era introduziu-se numa terra sequiosa e árida. Mas em vez de hidratar as almas sedentas de Deus, tem confundido ainda mais os fiéis com as suas doutrinas e práticas alheias e alienadoras das tradições e da fé monoteísta num Ocidente baralhado e anémico. A New Age ou Nova Era tem o seu nome a partir da sua pretensão de um novo tempo ou ordem mundial: a “passagem do Sol do signo Peixes para o de Aquário”, capaz então de destronar as visões religiosas do passado, para implantar “uma nova ordem mundial de concórdia e de luz”.[1] Pretende um Deus “não pessoal nem monoteísta”,  que caracteriza o cristianismo, mas energia que parte da deusa-Mãe Terra. Uma nova religiosidade sem religiões, ou que irmana todas, pacifista, em harmonia com o cosmos. Uma nova era que sucede às religiões antigas, sem renunciar, entretanto, a uma mistura aliciante de todas, a teosofias modernas e a  ideias panteístas (Deus é tudo e tudo é Deus). E assim o retorno ao Pan, ou seja, a integração no cosmos, a dissolução no nada após sucessiva reincarnação.  A uma boa pitada de místicas orientais, juntam até um Cristo cósmico ou Energia, hoje chamado (ou evoluído, na conceção da New Age) Gaia, ou Mãe-Terra. Seguem-se também, em consequência, as emergentes ideologias feministas ou ecológicas. Multiplicam-se a meditação transcendental, índigos, cristais, regressões a vidas passadas e certas yogas. Novas formas budistas. Mestres espirituais, médiuns, gurus ou iluminados. E também as medicinas energéticas. E é neste sentido que se integra o Reiki: reconhecido pelos seus proponentes, escritores e especialistas como uma prática da Nova Era.[2]
Não é difícil de constatar que a Nova Era está em contradição com o Cristianismo que sempre rejeitou, por herança bíblica, a astrologia, e por isso um destino fatalista ditado pelos astros, ou a adoração da criação, uma vez que Deus não é tudo, o Criador está acima da criação; está presente na sua obra, mas não é a obra. O respeito e a responsabilidade por tudo o que foi criado não significa a adoração da Mãe-Terra ou da Natureza. Ademais, a reincarnação não é conciliável com a fé de um cristão porque nega a ressurreição de Cristo, primícias da nossa própria ressurreição, uma verdade de Fé professada pelos católicos quando rezam o Credo. A perfeição para o católico é a santidade, não é a desintegração no Cosmos, no Pan, mas visão e posse, visão de Deus, posse do Reino dos Céus, vida em plenitude e não regresso ao nada, existência na glória, não imanência no cosmos. O próprio Papa Francisco condenou essa espécie de gnósticismo individualista, assim como a sua introdução nos meios católicos.** Tão pouco se entende que uma cultura hodierna e uma reescrita da história tão crítica aos nossos descobrimentos, às missões e aos missionários de outrora, que condena uma fé imposta ou impingida a outros povos e culturas, esteja agora ela mesma a importar para a Europa (e o Ocidente em geral) religiões recém-criadas por gurus diversos com teosofias e místicas Orientais estranhas à nossa própria História, Religião e Cultura. E menos ainda que se queira integrar o Reiki na ciência, que ultimamente tem firmado um fosso cada vez maior relativamente à religião,  como se fossem as energias da deusa Gaia compatíveis com a medicina, e assim entrar esta prática da New Age com plena cidadania nos hospitais que se dizem laicos, muitas vezes hostis ou adversos às capelanias religiosas e à Fé da esmagadora maioria dos pacientes e utentes do Serviço Nacional de Saúde, mas benevolentes a estas espiritualidades religiosas orientais cheias de chakras, budismo, panteísmo, esoterismo, gnosticismo e teosofias. Um mixreligioso perigoso para o senso comum.
Um artigo recente do Jornal Universitário do Porto situou o Reiki entre as “pseudoterapias”, um perigo e uma “fraude à saúde”. Parte de um estudo prático onde sujeitaram pacientes a um verdadeiro e a um falso mestre de Reiki, obtendo os mesmos resultados de uns e de outros, ou seja, efeito “placebo”.[3] Um site insuspeito como a Wikipedia, na sua entrada sobre este movimento religioso, alicerçada por múltiplas citações, lembra que “o Reiki não é reconhecido pela medicina e nem pela ciência. Os benefícios do Reiki nos cuidados de saúde não estão confirmados cientificamente”. Alerta, a partir de testemunhos médicos para o “risco dos pacientes evitarem ou atrasarem tratamentos para doenças graves, clinicamente comprovados, e que podem ter sua condição agravada por acreditarem no Reiki” e incentiva a procurar fontes médicas seguras sobre esta prática. Desmentem inclusive um mito da New Age: “Há uma divulgação errada em sites e blogs de que o Reiki é reconhecido como terapia alternativa complementar pela OMS (Organização Mundial de Saúde). A OMS nunca reconheceu o Reiki oficialmente”.[4] Não se compreende, portanto, a sua presença em sérias instituições médicas, e os cartazes distribuídos pelas paredes dos hospitais, aproveitando-se do desespero e da fragilidade das pessoas, para induzi-las a esta prática e posteriormente fazê-las ingressar na seita. Pois não se trata de um mero embuste médico, mas de uma ramificação da Nova Era, um movimento cultural-religioso catalogado pela maior parte dos autores neutros como uma nova forma de religião, ou uma seita.[5] Também os Bispos Norte-Americanos redigiram um documento sobre a incompatibilidade e os riscos oferecidos pelo Reiki, estipulando a sua proibição nas instituições de saúde católicas ou a sua promoção por pessoas que representem a Igreja.[6] A Santa Sé emitiu igualmente dois documentos, um da Congregação para a Doutrina da Fé (1989), sobre alguns aspetos da meditação cristã, e outro mais recente do Pontifício Concelho para a Cultura e para o Diálogo Inter-religioso (2003) sobre a New Age, e indiretamente sobre o Reiki, com uma extensa bibliografia, que revela uma vez mais a total incompatibilidade com o Cristianismo.
Ademais, o Reiki não é tão inocente como parece. À medida que a pessoa vai adentrando na seita, recebe conhecimentos revelados somente aos iniciados e entrosados mediante o grau que vão atingindo. Um gnosticismo que, se é escondido ao público em geral, tem garantidamente segredos comprometedores. Ademais mexe com energias que, se não vêm de Deus, alguma ligação ao preternatural têm. Pelo número de experimentados sacerdotes exorcistas que têm alertado para pessoas com sérios problemas espirituais depois de práticas de Reiki, bem se pode imaginar a quem são abertas as portas da alma e de onde vêm as ditas energias. O impressionante livro recentemente publicado, na sua segunda edição, de Aldina Cardeal, testemunha a libertação de uma portuguesa, submetida a múltiplos exorcismos, após uma vida entre práticas ligadas à New Age, entre elas o Reiki e os incríveis problemas espirituais e tormentos pelos quais passou, inclusive sem um diagnóstico médico e psiquiátrico preciso e eficaz. Chegaram a medicá-la para a esquizofrenia, um problema que nunca teve.[7] O seu testemunho é impressionante e merece uma leitura dos mais incrédulos. Definitivamente, um cristão não pode aderir ao Reiki na sua doutrina e na sua prática. Isso contradiz a Fé em Cristo e a condenação destas práticas pela Bíblia. São múltiplos os malefícios da New Age nas suas ideologias, cultura religiosa e  prática perniciosa. Conforme o recentemente falecido cardeal Daneels,  a Nova Era “enfrenta diretamente o cristianismo”, e pela sua expansão, mesmo entre os católicos, “constitui um grande desafio”.[8]Não é uma prática inocente nem ingénua, mas extremamente perigosa, para a saúde espiritual e física. Jesus, como afirmou o Papa Francisco, não é “profeta new age”.*** Cuidado com aqueles que querem desfigurá-Lo. “Acautelai-vos”, pois, “dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes” (Mt 7, 15-16).

P. Dr. José Victorino de Andrade

Poderão ler as anotações do texto em Aportes da Igreja.

Este artigo é escrito dentro de uma crença e, felizmente, neste século XXI, todos compreendemos a necessidade de um respeito mútuo que se acredite em algo, pertencendo a uma religião, quer se seja gnóstico, agnóstico ou ateu. O respeito e o entendimento é algo que desde os primórdios da humanidade permitiu a paz e o crescimento de civilizações. Também pela história compreendemos que a discórdia, o sectarismo, a pregação e incitamento contra aqueles que têm opiniões ou estilos de vida divergentes, levou a muito sofrimento ao longo de séculos, que ainda infelizmente continua.

Sendo um artigo religioso, compreendemos a crença e, em Portugal, todos nós de alguma forma vivemos a crença ou sentimos a sua influência, para nós é algo que faz parte da cultura.

Quando uma crença atinge a integridade de algo, ou quando uma pessoa atinge a integridade de outra, surge o sofrimento e esse poderá transbordar, levando ainda mais sofrimento a outros.

Ao escrever este artigo, a minha preocupação é a de cessar o sofrimento e tentar a aproximação, o respeito mútuo e o entendimento.

O sofrimento surge porque quando acreditamos em algo, temos a nossa verdadeira noção de que o que acreditamos é correto e se vemos algo no mundo que sai fora dessa nossa verdade, sofremos. Muitos sofrem porque acreditam em algo e vêem o mundo a sofrer, mas não conseguem fazer nada. Outros sofrem pela mesma razão e põem mãos à obra pelo melhor que podem fazer. Acredito que o Padre Andrade moveu-se para tentar fazer pelo melhor, mas infelizmente creio que a abrangência que deu, prejudicou e não esclareceu.

Todas estas discórdias fazem as pessoas duvidar e a dúvida na prática de Reiki é muito benéfica, porque ajuda-nos a enquadrar melhor o que fazemos, como fazemos e porque o fazemos.

Então, o melhor será começar por, sinteticamente, explicar o que é o Usui Reiki Ryoho.

  • O nome do método é Usui Reiki Ryoho;
  • Criado em Março de 1922 por Mikao Usui, no Japão, em Quioto;
  • A sua difusão começou através de uma escola aberta em Abril de 1922, em Tóquio;
  • É um método com vários níveis de aprendizagem;
  • Segundo o Fundador, não requer crenças ou predisposições para a prática;
  • Não está ligado a qualquer movimento religioso ou espiritual, nem tem recomendações para tal, ou seja todos podem praticar;
  • Tem uma filosofia de vida;
  • É um método organizado com 21 técnicas para desenvolvimento pessoal, meditação, terapia a si mesmo e a outros;
  • Existem diferenças entre a prática no ocidente e no oriente, a Usui Reiki Ryoho Gakkai é a associação que no Japão mantém a prática como era originalmente feita, no ocidente sofreu de aculturação e integração de algumas crenças ou conceitos para ser mais claro pelos ocidentais. Neste momento a prática está a regressar aos conceitos originais e a desmistificar crenças sem sentido que foram inclusas;
  • A prática terapêutica não tem uso de instrumentos acessórios, nem de manipulação física. Mesmo no Japão, apesar de tradicionalmente haver técnicas para acupressão, as mesmas foram abandonadas para não haver uma classificação errada da terapia;
  • Ao aplicar Reiki a outra pessoa, esta não necessita “acreditar” em energia, nunca deve despir a roupa;
  • A aplicação de Reiki, como Mikao Usui dizia, pode ser realizada a qualquer pessoa ou ser vivo e sempre até ao fim, por isso mesmo é uma prática usada em cuidados paliativos;
  • Reiki não tem promessa de cura, apenas atua sobre a homeostasia, promove o equilíbrio e harmonia da pessoa.

Os documentos fundamentais da nossa prática são “Manual do Usui Reiki Ryoho” (Usui Reiki Ryoho Hikkei, que poderá ser lido em O Grande Livro do Reiki); o Memorial erguido ao Mestre Usui no templo Saihoji (poderá ser lido em O Grande Livro do Reiki); O Manual da Terapia Reiki (Usui Reiki Ryoho no Shiori, que poderá ser lido em Reiki Guia do Método de Cura).

É de notar que este é apenas um resumo da prática, pessoalmente escrevi em 8 livros um resultado de mais de 2000 páginas sobre o tema, o que nos poderá ajudar a compreender a profundidade que tem o Usui Reiki Ryoho.

Seguem-se também, em consequência, as emergentes ideologias feministas ou ecológicas. Multiplicam-se a meditação transcendental, índigos, cristais, regressões a vidas passadas e certas yogas. Novas formas budistas. Mestres espirituais, médiuns, gurus ou iluminados. E também as medicinas energéticas. E é neste sentido que se integra o Reiki: reconhecido pelos seus proponentes, escritores e especialistas como uma prática da Nova Era

P. Dr. José Victorino de Andrade

O movimento (não organizado) New Age, surge por volta da década de 70, na verdade é o nome dado à procura que muitos ocidentais sentiram para o entendimento de si mesmos, a procura do espiritual, a ligação com a vida e com a natureza. Perante esta tão simples definição, muitas práticas são associadas como “New Age” ou Nova Era e aquilo que começa por ser algo que procura do eu e uma vida natural, pode esbarra-se com movimentos religiosos e espirituais que podem ser desviantes, deste propósito, por isso mesmo, não existe uma concordância sobre a atribuição do termo.

Reiki, ou mais corretamente o Usui Reiki Ryoho, o método criado por Mikao Usui no Japão em 1922, não faz parte deste movimento, mas muitos o colocam nele. Não faz parte porque, em primeiro lugar foi criado bem antes deste conceito e depois porque não tem uma característica religiosa ou de movimento espiritual.

O Usui Reiki Ryoho procura promover uma “vida pacífica e feliz” à pessoa, mas não por promessas ou leviandades, mas sim por uma prática de tomada de consciência, de forma alguma levando a pessoa a contrariar crenças religiosas que tenha.

“Há uma divulgação errada em sites e blogs de que o Reiki é reconhecido como terapia alternativa complementar pela OMS (Organização Mundial de Saúde). A OMS nunca reconheceu o Reiki oficialmente”.[4] Não se compreende, portanto, a sua presença em sérias instituições médicas, e os cartazes distribuídos pelas paredes dos hospitais, aproveitando-se do desespero e da fragilidade das pessoas, para induzi-las a esta prática e posteriormente fazê-las ingressar na seita.

P. Dr. José Victorino de Andrade

Está correto, a OMS não reconhece a prática de Reiki oficialmente, mas porque não o tem que fazer, o que a OMS faz é indicar prática e é por isso que Reiki surge em alguma documentação sua, mas segundo a própria OMS são os órgãos governantes de cada país que estipulam aquilo que é ou não reconhecido para a saúde pública.

Isto significa que não é necessário a OMS reconhecer Reiki para ele estar a ser aplicado em hospitais, mas sim haver uma identificação de uma necessidade e a aplicação prática de um serviço complementar e integrativo para o bem-estar da pessoa com doença. Neste ponto sim, teremos razão para Reiki estar tão divulgado e tão presente em Portugal, porque é evidente, apesar de não evidenciado pela ciência. Mas também a ciência não comprova a existência de Deus e será que é por isso que se deixa de crer? Ou que haja tanto serviço voluntário católico nos hospitais? Evidentemente que não, porque existe uma consciência muito racional que a fé e tudo aquilo que possa ajudar a pessoa a ultrapassar a sua dor, é benéfico para si e para todos aqueles que a rodeiam.

Sobre as evidências científicas, claro que elas são necessárias nestes nossos dias e felizmente, muito se tem feito pela ciência. Em Portugal, existem alguns trabalhos realizados, aos quais atribuímos o Prémio Hayashi de Investigação Reiki.

Poderá também ser interessante ler este artigo:

Reiki Is Better Than Placebo and Has Broad Potential as a Complementary Health Therapy. Publicado em Outubro de 2017 na PMC US National Library of Medicine National Institutes of Health

Journal of Evidence-Based Complementary & Alternative Medicine

Ou então procurar nos 3026 resultados da PUBMED sobre Reiki, experimentando a opção “best match”?

Para nós, praticantes de Reiki não ligados às ciências, não sentimos necessidade de comprovação, sentimos os efeitos em nós e prosseguimos com uma mudança de consciência, que nos ajuda a compreender as questões pessoais e também o sofrimento que levamos aos outros.

Ademais, o Reiki não é tão inocente como parece. À medida que a pessoa vai adentrando na seita, recebe conhecimentos revelados somente aos iniciados e entrosados mediante o grau que vão atingindo. Um gnosticismo que, se é escondido ao público em geral, tem garantidamente segredos comprometedores. Ademais mexe com energias que, se não vêm de Deus, alguma ligação ao preternatural têm.

P. Dr. José Victorino de Andrade

A prática de Reiki, japonesa, surgiu com níveis de aprendizagem, exatamente os mesmo de práticas como o Karaté ou Aikido, originários do Japão também. Esses níveis foram sendo simplificados até hoje em dia termos quatro níveis, onde se distingue:

  1. Nível 1 (Shoden) – Prática da filosofia de vida, meditação e tratamento a si mesmo, entendimento do que é a energia em si e nos outros, aplicação de Reiki a amigos próximos e familiares;
  2. Nível 2 (Okuden) – Aprofundamento da filosofia de vida, entendimento da causa dos seus desequilíbrios, prática de Reiki a outros e início do voluntariado;
  3. Nível 3 (Shipinden) – O entendimento profundo do fluxo da energia e os vários estados da mesma, o entendimento do eu e das suas questões, a profissionalização (opcional);
  4. Nível 3B (Gokukaiden) – A transmissão dos ensinamentos, o ensinar a ensinar (opcional).

Em nada Reiki tem aspectos de gnosticismo ou de “coisas esquisitas e escondidas”, a não ser que o que se ensina não é Reiki, mas sim crenças pessoais.

Usui Reiki Ryoho tem uma abordagem direta sobre a Filosofia de Vida, em primeiro lugar e depois sobre a terapia através da energia vital que a todos permeia, mas sendo nós indivíduos únicos, cada um por si tem interpretações próprias do que sente e do que vive. Por exemplo, na Igreja Católica encontramos várias ordens e vários movimentos, exatamente porque indivíduos interpretam o que sentem e o que crêem de uma forma própria, apesar de seguirem indicações estritas.

Não é uma prática inocente nem ingénua, mas extremamente perigosa, para a saúde espiritual e física. Jesus, como afirmou o Papa Francisco, não é “profeta new age”.*** Cuidado com aqueles que querem desfigurá-Lo. “Acautelai-vos”, pois, “dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes” (Mt 7, 15-16).

P. Dr. José Victorino de Andrade

Jesus não é mesmo um profeta New Age, nasceu há mais de 2000 anos, assim como Reiki, não é um movimento New Age, pois surgiu há quase 100 anos. Devemos ter cautela com as más práticas, mas elas surgem em todos os setores da sociedade.

A prática de Reiki, não é inocente nem ingénua, isso é verdade, pois é um Método e método significa uma prática sustentada e estruturada, daí a necessidade de haver um entendimento sobre o ensino, uma compreensão de que não é num dia que se transmite algo, mas numa vivência e formação continuada.

Com toda a certeza que o site deve ter tido muitos comentários e em resposta a estes o Padre José Victorino de Andrade responde:

01/04/2019 às 16:59
Mais de 12 mil visualizações. Obrigado! Quanto mais entrarem, mais pessoas serão alertadas, porque maior visibilidade terá o artigo. Àqueles que criticam e que dizem que a Igreja Católica é intolerante, eu não vejo os católicos a entrarem nos sites da Nova Era e do Reiki a dizer que vão todos para o inferno. Mas em menos de 24h recebi já ameaças e mensagens de um ódio ao extremo pelo que escrevi. Eu nunca entrei em nenhum site da Nova Era para deitar abaixo ou ofender ninguém; li muito, tirei conclusões, citei autores credenciados, e fiz o meu próprio artigo. Não gostam, procurem outras fontes. Mas não tolero que essa pseudo ciência e religião dita de harmonia e de paz, fique tão possessa de ódio e destile tanta intolerância; respeitem as opiniões divergentes na harmonia e na paz, senão só me confirmam a tese de que isso é uma seita. Quando ninguém pode ousar criticar que surge logo a ofensa. Paz e bem! Continuem com as vossas energias da Mãe Terra. O meu testemunho e a minha força, vêm de Deus!!!

Neste comentário do Padre Andrade, há uma tónica muito importante – não devemos responder a críticas, a ideias, com “ódio ao extremo” e “intolerância”. E, curiosamente, pede “respeitem as opiniões divergentes na harmonia e na paz”.

Este pedido de respeito é muito interessante, pois devia ser o mesmo respeito que deve existir por aqueles que seguem o que acreditam, incluindo todos os que têm uma ideia relacionada com o movimento “New Age”. E porque não começou tudo com este respeito? Porque colocar tudo no mesmo saco e não distinguir o correto do errado?

E ainda outro comentário seu:

Palavras do Papa Francisco… para quem diz que é compatível com a Igreja. Palavras tão ou mais duras que as minhas vindas do líder da Igreja. Não é um mestre Reiki que vai dizer o contrário; fiquem com as suas opiniões e gastem as vossas energias. Eu fico com o Papa e com a força que vem de Deus. Com isto, encerro a discussão.

Este último comentário reporta-nos novamente três aspetos muito importantes – 1) A opção de um membro da igreja 2) a liberdade de escolha 3) o encerramento da discussão.

Na opção de um membro da igreja, observamos que o Padre Andrade indica que estas são as palavras do Papa Francisco, ele procura estas palavras que vão ao encontro da sua crença e não tantas outras que poderiam manifestar tantas outras opiniões que levaram Padres e Freiras a praticar Reiki, sem nunca sentirem que ofenderam a sua crença.

Sobre a liberdade de escolha, indica “fiquem com as suas opiniões… Eu fico com o Papa…”, o que é uma atitude de respeito que logo de início devia surgir. Cada indivíduo tem direito à sua crença ou até descrença e sabemos que a liberdade de um começa onde a liberdade de outro termina. O respeito mútuo traz serenidade em todas as diferenças.

No terceiro ponto do seu comentário, o encerramento da discussão, pede-nos também alguma reflexão. Claro que devemos responder, mas também devemos de saber parar, de não nos apegar a algo que apenas surge de uma insatisfação.

Este artigo foi escrito com todo o respeito para com o Padre Andrade e as suas opiniões, assim com a Igreja Católica e a fé que move os meus membros. Quando respeitamos, estamos mais lúcidos, não somos movidos por vontades de perseguição, por linchamentos virtuais ou até mesmo incitação a retaliações. A grande fé que guiou tantos cristão perseguidos ao longo de séculos, com certeza que não pretende promover a perseguição das ideias de indivíduos e a sua liberdade, recordando tantas situações passadas.

 
 
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