{"id":1967,"date":"2016-11-14T09:29:08","date_gmt":"2016-11-14T09:29:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.associacaoportuguesadereiki.com\/nucleosdereiki\/?p=1967"},"modified":"2016-11-13T09:36:13","modified_gmt":"2016-11-13T09:36:13","slug":"cantinho-de-leitura-do-nucleo-do-porto-rubrica-mensal-online-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.associacaoportuguesadereiki.com\/nucleosdereiki\/cantinho-de-leitura-do-nucleo-do-porto-rubrica-mensal-online-2\/","title":{"rendered":"Cantinho de Leitura do N\u00facleo\u00a0do Porto &#8211; Rubrica mensal online"},"content":{"rendered":"<div id=\"js_3\" class=\"_5pbx userContent\" data-ft=\"{&quot;tn&quot;:&quot;K&quot;}\">\n<p>Cultivamos o gosto pela escrita e pela leitura.<br \/>\n<span class=\"_47e3\" title=\"heart emoticon\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"img\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/images\/emoji.php\/v5\/f6c\/1\/16\/2764.png\" alt=\"\" width=\"16\" height=\"16\" \/><span class=\"_7oe\">&lt;3<\/span><\/span><br \/>\nSaborear os Princ\u00edpios da Filosofia Reiki com a Fam\u00edlia<\/p>\n<p>S\u00f3 Por Hoje<\/p>\n<p>Sou Calmo<br \/>\nConfio<br \/>\nSou Grato<br \/>\nTrabalho Honestamente<br \/>\nSou Bondoso<\/p>\n<p>Quero continuar a ser filha dos meus pais<br \/>\nLaurinda Alves<\/p>\n<p>Os filhos que cuidam dos pais por amor s\u00e3o verdadeiros salva-vidas. Salvam da solid\u00e3o, da exclus\u00e3o, do abandono, do esquecimento, da indig\u00eancia moral e emocional em que vivem muitos velhos.<\/p>\n<p>A partir dos quarenta e muitos, cinquenta e poucos, todos come\u00e7amos a sentir que os pap\u00e9is se invertem nas fam\u00edlias e ca\u00edmos na conta de que mais ano, menos ano, seremos convocados a cuidar dos nossos pais. Confrontados com doen\u00e7as cr\u00f3nicas, ou chamados de emerg\u00eancia depois de acidentes cardiovasculares cerebrais, quedas e at\u00e9 atropelamentos provocados por distra\u00e7\u00e3o, falta de audi\u00e7\u00e3o ou vis\u00e3o, damos connosco atordoados e aflitos, sem saber o que pensar. Pior, sem sabermos o que fazer. Como agir, a quem recorrer, como ajudar?<\/p>\n<p>O \u2018como\u2019 \u00e9 a grande quest\u00e3o que atravessa as nossas vidas. Saber como, \u00e9, porventura, mais importante do que saber o qu\u00ea e porqu\u00ea. Muitas vezes nem chegamos a perceber os \u2018porqu\u00eas\u2019 do que nos acontece, mas nunca poderemos evitar os \u2018como\u2019. O problema \u00e9 que a vulnerabilidade dos nossos pais \u2013 mesmo quando eles n\u00e3o se queixam ou tentam disfar\u00e7ar! \u2013 consome-nos, para-nos e obriga-nos a repensar muita coisa. E a aprofundar este grande \u2018como\u2019, para percebermos como havemos de fazer para os ajudar a viver essa etapa de novas depend\u00eancias, como podemos ficar mais pr\u00f3ximos ou estarmos mais presentes sem termos que renunciar \u00e0 nossa vida pessoal, profissional e conjugal.<br \/>\nVer envelhecer os pais n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil e embora seja natural, traz muita ambival\u00eancia ao cora\u00e7\u00e3o. Ficamos tristes por eles e com eles, mas ao mesmo tempo temos medo que as suas dores, as suas debilidades e a sua perda de capacidades se eternizem. Sofremos porque nos sentimos muitas vezes impotentes perante o seu sofrimento e a sua fragilidade crescente, mas tamb\u00e9m porque o envelhecimento dos pais nos remete fatalmente para o nosso pr\u00f3prio envelhecimento, que \u00e9 assim uma esp\u00e9cie de tabu individual. Uma filha n\u00e3o gosta de ver a imagem da degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica da sua m\u00e3e porque mesmo sem querer pensa no seu pr\u00f3prio corpo dali a 20 ou 30 anos. Um filho resiste muitas vezes a cuidar do seu pr\u00f3prio pai, ou chega a afastar-se dele na velhice, pelas mesmas raz\u00f5es. Porque lhe custa lidar com a imagem avelhentada de um pai que deixa de ser forte e protetor, que de alguma forma deixa de ser o seu pai-her\u00f3i.<\/p>\n<p>A realidade dos filhos que come\u00e7am a ter que ser pais dos seus pais \u00e9 tremenda e por vezes imp\u00f5e-se de forma brutal. Pode chegar atrav\u00e9s de pequenos sinais como as lend\u00e1rias perdas de mem\u00f3ria ou as cl\u00e1ssicas quedas em casa e trope\u00e7os na rua, mas tamb\u00e9m pode anunciar-se atrav\u00e9s de doen\u00e7as graves que implicam tratamentos delicados ou cuidados continuados que envolvem quest\u00f5es sobre as quais nunca apetece falar (estou a pensar na tem\u00edvel incontin\u00eancia, por exemplo, mas tamb\u00e9m na perda de autonomia para fazer a higiene pr\u00f3pria ou na incapacidade de tratar da alimenta\u00e7\u00e3o 4 vezes por dia, todos os dias, e ainda nas noites passadas em branco) e que muitos filhos maiores j\u00e1 sabem porque j\u00e1 experimentaram. Da\u00ed o pavor de muitos homens e mulheres ainda entre os quarenta e os cinquenta. Temem que estas situa\u00e7\u00f5es se agravem e eternizem obrigando-os a adiar ou at\u00e9 a p\u00f4r de lado a sua realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional, abdicando de uma vida que legitimamente sonharam para si mesmos e n\u00e3o contemplava o pesadelo de uma m\u00e3e, uma sogra, um pai ou um sogro doentes, acamados ou a precisarem de ser lavados e alimentados todos os dias.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o tempo passa e as doen\u00e7as avan\u00e7am percebemos que n\u00e3o existem pais perfeitos nem filhos ideais. Todos passamos pela experi\u00eancia dos sentimentos contradit\u00f3rios, pelas fases de maior nostalgia em que apetece ser apenas filho, voltar \u00e0 inf\u00e2ncia (\u00e0 ideia de uma inf\u00e2ncia protegida, seja ela real ou idealizada), recusar o envelhecimento, fingir que est\u00e1 tudo melhor do que realmente est\u00e1, mas tamb\u00e9m por momentos de zanga, frustra\u00e7\u00e3o, impaci\u00eancia, raiva, confus\u00e3o, alheamento e rejei\u00e7\u00e3o, que alternam inexplicavelmente com tempos de ternura, dedica\u00e7\u00e3o, amor e compaix\u00e3o. Trazemos em n\u00f3s tudo isto e muito mais. Dizem os especialistas que o caminho \u00e9 aceitar esta mesma ambival\u00eancia tentando focar mais no amor e menos na culpa. Percebo os especialistas, pois nada \u00e9 mais erosivo na rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos do que os sentimentos de culpa m\u00fatuos. S\u00e3o erosivos e empobrecedores, ali\u00e1s. N\u00e3o levam a lado nenhum e fazem-nos esbarrar constantemente em muros de sil\u00eancio que rapidamente se tornam intranspon\u00edveis e nos afastam irremediavelmente uns dos outros. Os pais, porque se sentem culpados de estarem dependentes e darem tanto trabalho; os filhos por n\u00e3o estarem a ser capazes de cuidar, de acompanhar e mimar os pais como deviam e gostariam.<\/p>\n<p>No meio de tanta vulnerabilidade e depend\u00eancia tamb\u00e9m h\u00e1 boas not\u00edcias. As rela\u00e7\u00f5es familiares muitas vezes fortalecem-se na adversidade. \u00c9 um mist\u00e9rio que assim seja, mas acontece. Irm\u00e3os desavindos ou pouco pr\u00f3ximos no dia-a-dia s\u00e3o capazes de largar tudo para socorrer outro irm\u00e3o a bra\u00e7os com a realidade de um cancro terminal, uma situa\u00e7\u00e3o de dem\u00eancia ou um c\u00famulo de debilidades dos pais. J\u00e1 vi isso acontecer muitas vezes nos anos em que fiz voluntariado de cabeceira. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 vivi isso com as doen\u00e7as dos meus pr\u00f3prios pais. Somos quatro filhos vivos e temos vidas muito diferentes e muito exigentes, mas sempre que o pai ou a m\u00e3e precisam vamos a correr. Fomos e somos mais capazes de viver bem as situa\u00e7\u00f5es m\u00e1s, do que de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s fases f\u00e1ceis e boas. Nessas alturas andamos todos mais absorvidos com as coisas de cada um, com as exig\u00eancias da vida pessoal, profissional e familiar de cada um. At\u00e9 podemos parecer distantes, mas perante a not\u00edcia de um tumor cerebral ou de uma hospitaliza\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, criamos tacitamente turnos em que nos revezamos para tudo. Sejam banhos ou compras de supermercado, idas aos m\u00e9dicos e tratamentos, ou perman\u00eancia \u00e0 cabeceira. Nisto somos iguais a todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s a quem j\u00e1 aconteceu terem um pai ou uma m\u00e3e a precisar de cuidados 24h sobre 24h.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 esta de nas fratrias poder haver uma l\u00f3gica de entreajuda em que todos contribuem e se complementam. Entre irm\u00e3os os pap\u00e9is s\u00e3o quase sempre diferentes e pode haver um mais p\u00fadico, outro mais capaz de dar banhos e tratar da higiene, outro que gosta de cozinhar e outro ainda que gosta de levar a passear. H\u00e1 mil maneiras de exprimir os afetos pelos pais e a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se complica quando os filhos n\u00e3o se complementam, n\u00e3o se ajudam ou descartam o seu papel sobrecarregando um deles. Ou, claro, quando os filhos s\u00e3o \u00fanicos e se sentem mais impotentes.<\/p>\n<p>A outra boa not\u00edcia no meio das doen\u00e7as e sintomas de envelhecimento que geram depend\u00eancias \u00e9 poder haver um tempo reparador em fam\u00edlia. Parece dif\u00edcil, posto desta forma, mas mais uma vez falo pelo que vi e vivi. H\u00e1 uma dimens\u00e3o reparadora na proximidade familiar quando os pais ficam vulner\u00e1veis. Seja porque pais e filhos sentem necessidade de se perdoarem mutuamente por raz\u00f5es ou quest\u00f5es antigas, seja porque existe a chamada \u2018d\u00edvida de gratid\u00e3o\u2019 que atravessa o cora\u00e7\u00e3o dos filhos perante quem lhes deu vida e quem cuidou deles na fragilidade extrema dos primeiros tempos de vida, na verdade o tempo da doen\u00e7a prolongada pode ser muito reparador. Pode restaurar rela\u00e7\u00f5es e fortalecer la\u00e7os. E tamb\u00e9m pode desfaz\u00ea-los para sempre, claro, se tudo isto for vivido de forma negativa ou n\u00e3o houver possibilidade de cuidar.<\/p>\n<p>Os filhos que cuidam dos pais por amor s\u00e3o verdadeiros salva-vidas. Salvam da solid\u00e3o, da exclus\u00e3o, do abandono, do esquecimento, da indig\u00eancia moral e emocional em que vivem muitos velhos. Podem sentir um enorme stress interior e a tal ambival\u00eancia de sentimentos, podem at\u00e9 ter pavores de que tudo v\u00e1 de \u2018mal em pior\u2019, mas t\u00eam a possibilidade de se reconciliar em vida, de agradecer, de dar de volta aquilo que receberam, e at\u00e9 de aceitar a fragilidade, a depend\u00eancia e a sua morte. Podem ser obrigados a viver tudo isto no auge das suas pr\u00f3prias crises existenciais, no seu tempo de balan\u00e7os de vida, de crises e ruturas, de luto definitivo por uma adolesc\u00eancia que j\u00e1 n\u00e3o volta, mas tudo isto vale a pena se quisermos ser para sempre filhos dos nossos pais e cumprir o nosso papel at\u00e9 ao fim. Mesmo que temporariamente pare\u00e7a que somos pais deles.<\/p>\n<p>A minha experi\u00eancia de cabeceira com estranhos, mas tamb\u00e9m de filha que tem os pais a morar em casa h\u00e1 anos, encerra e revela aquilo que Marie de Hennezel resumiu de forma maravilhosa : \u201cCuidar de um pai velho vai para al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o filial. Um ser humano ao ajudar outro ser humano vulner\u00e1vel aprende a ser melhor\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cultivamos o gosto pela escrita e pela leitura. &lt;3 Saborear os Princ\u00edpios da Filosofia Reiki com a Fam\u00edlia S\u00f3 Por Hoje Sou Calmo Confio Sou Grato Trabalho Honestamente Sou Bondoso Quero continuar a ser filha dos meus pais Laurinda Alves Os filhos que cuidam dos pais por amor s\u00e3o verdadeiros salva-vidas. 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