Wednesday, October 21, 2020

Os reikianos Ricardo Silva, Marcílio Costa e Denyson Caldeira atendem gratuitamente no Espaço Criar, no bairro Luciano Cavalcante

Os reikianos Ricardo Silva, Marcílio Costa e Denyson Caldeira atendem gratuitamente no Espaço Criar, no bairro Luciano Cavalcante

 

Criado pelo mestre budista Mikao Usui, o reiki utiliza a troca de energias pelas mãos para reabilitar sorrisos, reduzir a ansiedade e até devolver o sono. Em Fortaleza, um grupo realiza a pratica voluntariamente

O gesto é simples: um estender de mãos, cerrar de olhos e a disposição para trocar energia com o outro. Energia do corpo, da vida, do universo. O “reiki”, terapia criada no começo do século passado pelo mestre budista Mikao Usui, parte do princípio de que não somos feitos apenas de matéria ou razão, mas de que há em nós níveis emocionais e espirituais que, em meio às agitações do mundo, às angústias próprias da vida, acabam esquecidos. Não à toa, tantos são os males que acometem o corpo – vitrine dos problemas mais íntimos.

Aprender a acessar e a canalizar esses planos subjetivos conduz a um contato com a existência plena. Na prática, melhora a vida: afasta o estresse, reduz a ansiedade, devolve o sono, reabilita os sorrisos, favorece até o apetite. Independente de crenças, preceitos religiosos, paradigmas de fé, a terapia silenciosa mas firme tem na sutileza do gesto, que só requer abertura de quem o recebe, seu poder curativo. “O reiki é isso, é se conectar com a energia da vida, da existência. É um caminho de simplicidade”, quem diz é o colaborador voluntário do Espaço Criar, Denyson Caldeira, 33, há cinco anos praticando reiki.

Junto dos amigos Marcílio Costa, 45, e Ricardo Silva, 44 – que descobriram a terapia cerca de doze anos atrás e, há dez, resolveram levar a outros os benefícios que provavam –, Denyson se dispõe a atender gratuitamente as quarenta pessoas, em média, que procuram o Espaço, todas as segundas-feiras, de 17h às 23h, dispostas a receber o reiki. Uma casa branca de pé direito baixo, numa rua simpática do bairro Luciano Cavalcante, encoberta por plantas de variados tipos, que acolhe os visitantes com a sabedoria de Dalai Lama: “É durante as fases de maior adversidade que surgem as grandes oportunidades de fazer o bem a si mesmo e aos outros”.

Foi assim com a aposentada Sônia Maria Holanda da Costa, voluntária do Criar. Após atravessar difíceis cinco anos de depressão, doença que a levou a ficar internada, ela procurou Ricardo para receber “reiki”. O intuito era simples: recuperar o sono que, mesmo diante dos pesados remédios, insistia em despedir-se dela a cada noite. Além do sono, Sônia recuperou a paz, o ânimo, até que pediu para trabalhar de graça, de segunda a segunda, na recepção do espaço, e retribuir o bem recebido. “Isso aqui é a minha vida, aqui eu recarrego minhas energias pra conseguir cuidar da minha família, do meu neto, da minha casa”, conta. “Quando recebo o reiki, eu viajo”, emenda a hoje bem humorada senhora.

Além dela, que já é uma “reikiana”, como são chamados os iniciados na prática da terapia, Rui Lima, 31, é outro que recebe os benefícios da energia “reiki” e aproveita o local para garantir uma ocupação. É que o jovem, que estudava Ciências Contábeis, está com a vida em suspenso há três anos, à espera de um transplante de rim.

Levado pela mãe ao Criar, Rui atribui às sessões de “reiki” ter conseguido voltar a dormir e até a se alimentar melhor. Por causa do tratamento, ele já não tinha mais apetite, passava semanas comendo quase nada. “Estou mais tranquilo, mais centrado, antes ficava muito ansioso, nervoso com qualquer coisa”, acrescenta à lista de efeitos que ele credita à terapia. Esperar o ansiado transplante já não lhe tira a calma e mesmo o tom da voz é leve.

Feito Sônia, o entusiasmo voltou graças ao reequilíbrio da energia e a convivência no Criar o motivou a confeccionar brindes e imprimir motivos religiosos em blusas, já que não pode se dedicar a atividades que exijam esforço físico.

Serena postura diante da vida que lembra os preceitos do “reki”, complementos da imposição de mãos para canalização de energia. Resumidos na filosofia do “só por hoje”, eles pregam o não se preocupar, não se aborrecer, honrar pais e mestres, trabalhar honestamente e ser gentil com todos. Tomada de consciência, segundo Marcílio Costa, que deve ser exercitada dia após dia. “Em outras palavras, é só por hoje eu ficar atento ao que está ao meu redor, ser útil ao meu próximo e a mim mesmo, porque a primeira coisa que eu preciso fazer é me aplicar. Se eu me aplico eu me equilíbrio”, ensina.

Desse equilíbrio nasceu um outro Marcílio depois do “reiki”. Antes da prática, ele lembra, quando se dividia entre a chefia do almoxarifado de uma grande empresa e a sala de aula num curso de inglês, o simples tomar o ônibus para ir de um trabalho a outro era estressante a ponto de gerar uma enxaqueca, tida pelos médicos como incurável. “Hoje, não tenho mais (a dor de cabeça) e quando quero sair (do equilíbrio), visualizo os símbolos do ‘reiki” e me centro de volta”, diz.

Apesar de enxaqueca e dores na coluna, Ricardo Silva, coordenador-geral do Espaço Criar, diz que os problemas comuns entre os que buscam o “reiki” são mesmo o estresse, a ansiedade e o medo, seja por causa de uma prova de concurso ou de um tratamento médico.

Seja qual for o caso, complementa Denyson, “se a pessoa se permite acessar a energia ‘reiki’, seja através de um reikiano ou ela mesma como reikiana, ou através de uma rezadeira, uma benzedeira, ou de um médico que a atende bem, com carinho, amor, então tudo funciona. Ocorre aquilo que não lhe cabe. Porque nós estamos falando apenas de amor, de energia, de força da vida. Quando você faz a sua parte naquilo que lhe cabe, o universo conspira. Você está receptivo à energia, a realizar coisas que você nem se preocupou por causa disso, É uma filosofia muito bonita, é você viver uma cultura de amor e de paz”.

SERVIÇO

Espaço Criar

O quê: Centro de atendimento reiki

Onde: Rua Q, casa 84, bairro Luciano Cavalcante

Outras informações: (85) 3032 3330

Independente de crenças, preceitos religiosos, paradigmas de fé, a terapia silenciosa, mas firme, tem na sutileza do gesto, que só requer abertura de quem o recebe, seu poder curativo.

Resumidos na filosofia do “só por hoje”, eles pregam o não se preocupar, não se aborrecer, honrar pais e mestres, trabalhar honestamente e ser gentil com todos

Autora: Raphaelle Batista

[box type=”info”]Retirado do Jornal Vida e Arte[/box]

 


 

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