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Ser e Viver, Reiki na Oncologia é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Reiki (APR) lançada a 31 de Maio de 2012. No mesmo dia, e graças à disponibilidade imediata de quatro voluntários, o Núcleo de Anadia abraça o projecto com a inclusão dos utentes oncológicos que já acompanhava. Neste artigo, fazemos o balanço do projecto e entrevistamos Magna Rosa, coordenadora do Ser e Viver na Anadia.

“Tal como em todos os projectos relacionados com doentes oncológicos, também este é feito de pequenas batalhas quase diárias, onde umas vezes se ganha, mas outras se perde”. É desta forma que Luís Ferreira, coordenador do Núcleo de Anadia, se refere ao projecto Ser e Viver, Reiki na Oncologia, que desde o ano passado tem levado a cabo naquele Núcleo e no qual, actualmente, acompanha três doentes.

Segundo o responsável, a adesão à iniciativa da APR introduziu algumas mudanças, desde logo pela alteração do espaço físico inicialmente equacionado: “Tivemos de procurar um novo espaço. Não só pela necessidade de maior privacidade, mas porque o segundo andar sem elevador onde actualmente estamos tornou-se proibitivo para alguns dos utentes, além da nossa própria dificuldade de agendamento das sessões devido às inúmeras iniciativas que conduzimos.” Por outro lado, assume que o projecto os “levou um pouco mais longe”, na medida em que decidiram abrir as portas do Núcleo não só ao doente oncológico mas também a toda a família que experiencia a situação. E os resultados desta opção “têm sido muito positivos”, sublinha.

Hoje em dia, o projecto permanece activo com três praticantes de Reiki envolvidos em permanência e seis que pontualmente colaboram. Quem coordena o projecto é Magna Rosa, entrevistada pelo Reiki em Portugal.

Entrevista a Magna Rosa, coordenadora do projecto Ser e Viver, Reiki na Oncologia – Anadia

Qual foi a sua motivação inicial para abraçar esta iniciativa?

O que me motivou mesmo foi, sem dúvida, numa primeira fase colocar-me a mim mesma à prova, e aprofundar os meus conhecimentos sobre Reiki e pô-los em prática. O Reiki purifica o coração e a mente, tem como uso a mais bela de todas as coisas, O AMOR. Felizmente o Reiki não é apenas uma terapia que visa minimizar uma dor física. A sua energia vai muito mais além disso, atinge a dor da alma e aí é a hora da transformação, o momento de uma entrega total onde as nossas mãos são guiadas unicamente pelo nosso coração. Sem dúvida, foi-me dada a oportunidade de crescer muito como ser humano, aprendi muito e espero aprender muito mais. Só por hoje estou grata!

Como é feita a referenciação e o acompanhamento dos utentes?

A referenciação é feita através de consultas realizadas pelo Luís Ferreira [coordenador do Núcleo], por conhecimento de terapeutas do Núcleo, e até mesmo através do nosso site. Já tivemos um caso em que a pessoa doente queria receber Reiki e pesquisou no distrito de Aveiro tendo chegado até nós. Por norma, o acompanhamento é feito com a orientação do Luís. O doente recebe terapia uma ou duas vezes por semana, consoante o grau do tumor e a evolução da própria patologia. Esse acompanhamento é feito no Núcleo, no domicílio ou no IPO de Coimbra.

Quantos doentes são seguidos actualmente e qual a frequência das sessões?

Neste momento, apenas temos um doente cujo acompanhamento é feito no domicílio. Trata-se de uma situação estável e fazemos uma visita quinzenal, salvo momentos de crise. Esta pessoa é um doente oncológico há doze anos, colostomizado. A nossa visita a este doente destina-se sobretudo a minimizar o desgaste da situação que já se arrasta há alguns anos. O desgaste é notório, não só no próprio doente como na cuidadora, a sua esposa. Sem dúvida, quando entrei na casa deste casal preocupou-me mais o estado da esposa que o do próprio doente oncológico. A senhora precisava de muita força para continuar e, mais uma vez, o Reiki provou que vale a pena não desistir.

Imagino que este seja um projecto muito desafiante do ponto de vista emocional. Qual foi, até hoje, o caso mais marcante com que lidou?

Sem qualquer dúvida, trata-se de um projecto muito desafiante, não só do ponto de vista emocional. Cada caso é um caso, tudo depende do tempo que o doente tem para estar connosco. Tivemos dois casos que nos marcaram em especial. Em relação a um deles, em que o senhor ficou mais tempo, não tenho sequer palavras para descrever o turbilhão de sensações e transformações fortes que vivi. No dia em que o senhor faleceu apenas disse à família que ele tinha sido um grande Mestre, muito especial. O Reiki não curou o tumor a nível físico, mas sim o tumor da alma que aquele senhor tinha… lindo! Quando abrandar mais a minha vida, talvez este seja tema para mais um livro sobre a magia do Reiki, pois até sobre isso tivemos tempo de falar. No dia do funeral cheguei a ouvir comentários sobre o facto de a família parecer demasiado feliz para o acontecimento…
O outro caso durou apenas cinco semanas. O senhor já estava em fase terminal quando nos foi solicitada ajuda. Encontrava-se nos Cuidados Paliativos do IPO de Coimbra. Fomos encontrar uma pessoa muito transformada fisicamente. Demasiado magro, quase um esqueleto, sem cabelo e com os olhos muito encovados. No primeiro encontro, mais uma vez a energia Reiki surpreendeu-me. Aquele ser ansiava por nós como se nos conhecesse desde sempre e lhe levássemos o remédio para a sua cura. Embora sem forças para o fazer, insistia em sentar-se na cama e sorrir para nos receber. O toque das nossas mãos ajudavam-no a ultrapassar qualquer mal que ele estivesse a sentir. E as palavras dele para nós eram: “Eu já devia ter-vos conhecido há mais tempo, isto é demasiado bom. Estou bem, estou pronto para partir. É quando Ele quiser, obrigado, obrigado…” Dizia isto até não ter mais forças para falar e finalmente adormecer.

De que forma é que o Núcleo presta apoio aos familiares dos doentes?

Fazemos questão de proporcionar apoio à família. É um trabalho feito em paralelo, afinal, o Reiki não é apenas uma terapia para seres doentes. Sabemos nós que a própria doença não só desequilibra o portador como os seus acompanhantes. O projecto promove o bem-estar e a qualidade de vida, diminui o stresse, os receios, a ansiedade. Promove o relaxamento, faz adquirir paz interior e optimismo. Acima de tudo, ajuda que se acredite no valor da terapia. Este processo é feito em conjunto – com os doentes e familiares – para potenciar os resultados. E temos a prova disso. O Núcleo recebe todas as semanas familiares de doentes que já faleceram e até já se inscreveram alguns para fazer o curso nível I de Reiki. Tivemos familiares que nos acompanharam ao 3.º Congresso Nacional de Reiki, no passado dia 27 de Outubro, em Guimarães.

Quer partilhar algo mais com os nossos leitores?

Quero sim. Não deixem de ser crianças! Tudo surpreende as crianças, elas vêem o mundo como uma nova aventura a cada dia. A cura não é o “como” ou o “porquê” nem é uma receita. É um estado de ser.

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Ser e Viver, Reiki na Oncologia

A Associação Portuguesa de Reiki tem já um longo historial no apoio ao doente oncológico. Desde 2008 (ano da criação da APR), este tem sido um dos projectos mais exigentes que tem vindo a ser desenvolvido, quer através de protocolos, quer através do acompanhamento proporcionado nas nossas instalações ou núcleos.

Pode ficar a saber mais sobre este projecto aqui:

http://associacaoportuguesadereiki.com/reiki/projectos-de-reiki/ser-e-viver-reiki-na-oncologia.html
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