Thursday, October 29, 2020

Regulamentação da terapia Reiki – sim ou não?

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Desde 2008, altura da constituição da Associação Portuguesa de Reiki, que se fala da regulamentação da terapia Reiki. Esta é a vontade de muitos praticantes e clientes/utentes desta terapia. Neste momento, em que vemos as Medicinas Não Convencionais a serem legisladas num sentido contrário ao pretendido, convém também clarificarmos os prós e contras da regulamentação do Reiki.

Clarificação sobre a profissionalização

A prática de Reiki é, por princípio, uma prática de doação. O praticante, o Mestre, o Terapeuta, todos têm de estar predispostos para que a energia possa fluir para o seu recetor. Ao tornar esta prática uma profissão nunca devemos esquecer os princípios que nos regem. Se queremos ser terapeutas, temos que o assumir na íntegra. Que opinião têm os vários praticantes de Reiki sobre isto?

Gratuito vs. Pago

Para muitos praticantes pode até ser ofensivo haver a mínima cobrança ou retorno por uma sessão de Reiki. Tal conceito não é errado. Trata-se de uma crença e é uma prática válida. Isto porque consideram que a Energia é algo Sagrado e assim como a recebem gratuitamente, também a doam gratuitamente.

Outros praticantes fazem do Reiki uma prática profissional. Recebem pelo serviço que prestam. Tal conceito também não é errado. Os terapeutas não cobram pela energia que por eles flui mas sim pelo seu tempo, saber e despesas associadas à prática que exercem.

Havendo dois territórios tão opostos, é natural que existam divergências acérrimas e, por vezes, prejudiciais ao reconhecimento, apresentação ou mesmo regulamentação do Reiki. Quem está de fora, encara toda esta situação como algo ingerível, incompreensível. E se nos pusermos no lugar de quem olha do exterior, percebemos que poderá ser difícil confiar em algo quando há tanta divergência, tantos conceitos paradoxais e até difamações entre praticantes.

Compreendendo a perspetiva de cada um, aceitando o seu papel e contributo para a sociedade, devemos caminhar para o consenso.

As associações e o seu papel

associacoesEm Portugal existem pelo menos seis associações ligadas ao Reiki:

  • Associação Portuguesa de Reiki – Monte Kurama
  • Associação Reiki Sem Fronteiras
  • Associação Portuguesa de Reiki Essencial
  • Lux Vitae
  • Ordem da Pomba
  • Surya

Todas elas têm objetivos, missões, visão e valores próprios. Todas têm um papel importante para o Reiki e para os seus praticantes. Individualmente, auxiliam os seus associados, trabalham na comunidade, desenvolvem os seus projetos que têm orientações próprias, conforme os seus estatutos. Todas juntas representam o lema “A união faz a força”.

A aceitação da diferença, bem como a cooperação para o esclarecimento e desenvolvimento do Reiki em Portugal, são aspectos vitais. As associações servem para juntar pessoas com os mesmos objetivos e ideais, desenvolvendo atividades que valorizem a sua forma de estar e de praticar Reiki.

A interpretação

Porque o Reiki pode ser mal visto e interpretado

Estando o Reiki presente em Portugal desde os anos 80 e sendo algo tão simples que facilmente se funde com outras práticas e crenças, acabamos por ser frequentemente confrontados com alguns problemas de interpretação. Se tivermos mente aberta e uma perspectiva positiva, compreende-se que haja uma aculturação da prática. No entanto, nem todos o aceitam e assim se apresentam os pontos que podem levar à má interpretação e consequente não-aceitação do Reiki:

  • Misticismo
  • Informação contraditória
  • Crenças culturais e religiosas
  • Alegada inexistência de dados ou estudos credíveis sobre o Reiki
  • Falta de relação com a Medicina convencional
  • Aparência e atitude do terapeuta

O que se regulamenta?

regulamentaPara que uma profissão seja regulada terá de haver primeiro o reconhecimento do seu ensino, logo, dos conteúdos formativos. Por isso mesmo, a Associação Portuguesa de Reiki tem desenvolvido o projecto aberto da Uniformização do Ensino. Neste âmbito, apresentamos conteúdos comuns a todos os sistemas de Reiki e incluímos a possibilidade de cada Mestre integrar outros aspectos que considere relevantes ensinar aos seus alunos. A uniformização do ensino esclarece não só quem pretende aprender, mas também quem quer legislar.

Depois do reconhecimento do ensino, há que uniformizar a terapia Reiki como profissão. Aqui são indicados os direitos e deveres, bem como as condições para a prática.

Quem pode regulamentar?

O Governo português.

Os riscos da regulamentação da terapia Reiki

Ao haver uma regulamentação não acompanhada por quem é praticante da área, corre-se o risco de um enquadramento incorrecto ou, até, de se servirem interesses que não são os dos praticantes de Reiki e seus clientes/utentes. Não é, de todo, este o caminho que deve ser seguido.

A regulamentação deve ser realizada com o trabalho e empenho de todas as Associações e até praticantes independentes, que tenham uma voz ativa, construtiva e participativa.

Prós da regulamentação

  • O ensino de Reiki é reconhecido, assim como a profissão de terapeuta, dentro das terapias complementares
  • Os clientes têm mais segurança ao consultar um terapeuta de Reiki, reconhecendo os seus deveres e direitos
  • Os terapeutas têm estabelecido, de forma explícita, os seus deveres e direitos
  • Os terapeutas terão acesso a cédula profissional
  • Os clientes/utentes saberão a que órgão do Estado poderão apresentar queixa em caso de mau cumprimento ou má prática
  • Os terapeutas verão o seu trabalho reconhecido e validado
  • Mais facilmente o Reiki pode estar no Plano Nacional de Saúde, como um serviço para os cidadãos
  • O Reiki praticado hoje nos hospitais deixa de ser “clandestino” e passa a estar aberto e disponível, sem receio de ilegalidades

Contras da regulamentação

  • Por muito extensa que seja a regulamentação nunca irá ao encontro das ideias individuais nem satisfará todas as opiniões
  • O ensino de Reiki terá que ser muito bem enquadrado. Se seguisse a atual lei das Medicinas Não Convencionais iria implicar cursos superiores, o que não faz sentido;
  • A apresentação de qualificações poderá impedir a prática a quem não as possui. Como tal, não será do agrado de quem pretende manter o presente status quo, nomeadamente, cursos ministrados num fim-de-semana.
  • Se o terapeuta de Reiki tiver que responder a alguém que não compreenda a sua atuação na pessoa, pode ficar prejudicado no desempenho do seu trabalho.

Até à regulamentação e reconhecimento, o que fazer?

Existe ainda um trabalho gigantesco pela frente. Em primeiro lugar, no esclarecimento do que é Reiki. Paralelamente, os terapeutas devem apostar na auto-regulamentação, apresentada pelas várias Associações. Devem também aplicar a Norma Portuguesa da Prática da Terapia Complementar Reiki (NPTCR-01).

A posição oficial da Associação Portuguesa de Reiki

Sendo um organismo com Órgãos Sociais eleitos de dois em dois anos pelos seus associados, cumpre à Associação Portuguesa de Reiki levar à Assembleia Geral todo o tipo de questões decisivas para a Associação. Neste sentido, a APR cumpre o que os seus associados votarem e decidirem. Até ao presente momento, a nossa posição sobre a regulamentação é a de criar condições para que se cumpram os seguintes requisitos:

  • Maior informação sobre o Reiki ao público em geral
  • Maior informação aos profissionais de Saúde
  • Debate alargado com todos os praticantes de Reiki que queiram participar
  • Capacitação de terapeutas de Reiki com ferramentas e esclarecimento atualizado
  • Desenvolvimento de estudos académicos e no terreno sobre o Reiki.

Cumprindo cada vez mais estes itens podemos, em conjunto com outras Associações, apresentar uma proposta credível e assente em factos.

É nossa visão abarcar o maior número possível de opiniões e encontrar o denominador comum em todas. Sabemos que não é uma tarefa simples nem linear, por isso contamos com o apoio crítico e construtivo de todos.

Links úteis:

Sobre a profissionalização

Desmistificação

Gratuito vs. pago

Benefícios da terapia Reiki

Investigação

Auto-regulamentação

 


 

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