Saturday, October 24, 2020

Reiki também ajuda animais. Usado como terapia complementar, não dispensa a consulta de um técnico de saúde mas auxilia a promoção da capacidade de auto-cura do animal. Carla Brito, coordenadora de Reiki para animais em Lisboa dá-nos a sua perspectiva, através de uma entrevista realizada pela Jornalista Ana Pago, para a Notícias Magazine.

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– Como tem evoluído a procura de terapias alternativas para os animais em Portugal nos últimos anos? A crescer? E do reiki em particular?

Apenas estarei habilitada para falar do Reiki, visto ser a única em que possuo qualificações e experiência. È importante referir que o reiki é uma terapia complementar que não dispensa em caso de doença a consulta de um técnico de saúde qualificado.

Tem-se observado um crescimento não só da procura do Reiki como também da quantidade de pessoas informada acerca dos benefícios desta terapia. Deparamo-nos de momento com imensa bibliografia sobre o tema, artigos, blogs e sites. Encontra-se com facilidade locais credenciados e fiáveis onde é possível fazer formação de qualidade. Portanto, o reiki está sem dúvida numa fase ascendente no que toca à sua divulgação, promoção e consequentemente, à sua procura.

No que se refere ao reiki animal a bibliografia fica circunscrita a autores internacionais, no entanto, encontram-se focos nacionais de informação on-line e grupos de partilha, onde se pode extrair informação útil e de qualidade. Em termos de formação específica sobre o tema também estamos a evoluir, mas no mercado internacional o assunto está mais desenvolvido, e portanto é lá que recorro para a minha autoformação.

Criei uma página que se dedica ao assunto e a outros temas relacionados com os animais, que visam a sensibilização para determinadas problemáticas como: doenças, vacinação, proteção animal, adoções, alimentação, etc. Através desta página chegam inúmeros pedidos de ajuda, em especial para cães e gatos, mas também já tratei cavalos, aves e roedores.

– Este género de terapias deve ser usado apenas a título complementar? Ou há casos em que podem ser alternativa à medicina veterinária tradicional?

Como referi na questão anterior o reiki é uma terapia complementar que não dispensa em caso de doença a consulta de um técnico de saúde qualificado e não pretende ser uma alternativa à mesma. Mesmo nos casos de desvios comportamentais, stress, ansiedade, é importante o dono consultar previamente o médico veterinário. Os reikianos não são médicos, são terapeutas que contribuem para a promoção do bem estar, sempre com o compromisso que deverá ser o médico a fazer o diagnóstico da patologia e a trata-la. Os terapeutas apenas auxiliam no seu trabalho, facilitando o processo de cura através da promoção do equilíbrio, da remoção de bloqueios, do relaxamento do doente e potenciando os efeitos benéficos da medicação.

As únicas situações passiveis de fazer reiki sem haver um estudo clinico prévio é nos casos em que não existe patologia e é necessário promover o relaxamento, a vitalidade e devolver o bem estar ao animal. Por exemplo, ofereço muitas vezes reiki aos meus animais de estimação, não por estarem doentes, mas porque quero que continuem saudáveis. Funciona como uma espécie de ginástica de manutenção e é também uma forma única de demonstrar o meu afeto por eles. Outra das situações é no caso em que o animal se encontra em fase terminal e necessita de apaziguamento e de aceitação da morte.

É importante deixar claro que os animais que por mim são submetidos à terapia reiki, são todos seguidos por médicos veterinários. Até ao momento nenhum dono deixou de mostrar a terapêutica que o veterinário receitou, pois faço questão de a solicitar para comprovar que o animal está a ter o acompanhamento médico necessário. Resumindo, acredito que é possível trabalharmos em conjunto para um bem comum, o bem estar animal! Bastando para isso estarmos cientes dos limites profissionais de cada técnico.

Deixo o repto, pois gostaria de ver interesse pela comunidade científica veterinária na recolha de dados que avaliassem e comprovassem os benefícios do reiki nos animais. Foram feitas algumas propostas neste sentido a técnicos de saúde veterinária mas as mesmas foram completamente desacreditadas e vistas com alguma desconfiança. Era importante conseguirmos o que se tem conseguido ao nível da saúde das pessoas, parcerias no tratamento de doenças graves, voluntariado em hospitais, etc. Para a concretização deste objetivo é necessário haver credibilização da terapia no meio médico e uma grande abertura por parte dos técnicos de saúde da medicina veterinária. Refira-se que tanto os resultados dos tratamentos como a avaliação da energia pode ser medida e comprovada, basta para isso os meios técnicos e científicos necessários.

– Como se aplica/funciona exatamente o reiki nos animais? Quais as principais vantagens em termos de saúde e bem-estar?

Todos os seres vivos contêm energia, recebem energia e emitem energia. Neste contexto, as terapias complementares têm vindo ao longo dos anos a consciencializar os mais descrentes, que podem ter um papel importante no auxílio da medicina convencional, quer complementado, quer potenciando o tratamento prescrito pelo médico.

O reiki é uma dessas terapias. É um complemento à medicina convencional desde há muito e segundo consta foi utilizado e reconhecido como uma grande mais valia nas antigas civilizações e, mais tarde na Índia e no Japão. Por este motivo existem diferentes abordagens do reiki. A sua designação depende, exatamente, do contexto em que surgiu, mas no essencial são iguais.

O Reiki trabalha a todos estes níveis: físico, emocional, espiritual e mental.

Ele é a passagem de energia através da imposição das mãos, com ou sem contato físico, Apesar do processo ser de uma grande simplicidade, têm-se revelado de extrema eficácia. È antes de mais um acto instintivo, pois quando alguém se magoa a primeira ação que toma é a de colocar a mão no local magoado e muitas vezes friccionar. Entre os animais o mesmo acontece, quando o animal está ferido ou com dor a primeira coisa que faz é lamber a área afetada.

O animal que aceite receber reiki beneficia de um estado de bem estar geral. Os benefícios esperados no animal são:

  • O relaxamento profundo: ajudando o organismo a libertar o stress, a tensão nervosa e muscular, reduzindo também a tensão arterial do animal;
  • Promove a auto-cura do corpo, fortalecendo o sistema imunológico do animal;
  • Promove a recuperação de lesões agudas e crónicas;
  • Promove o alivio da dor e o aumento do bem estar;
  • Auxilia na remoção das toxinas do organismo e na libertação dos efeitos nefastos da medicação convencional (antibióticos, quimioterapia, anestesia, etc.);
  • Promove o aumento da vitalidade;
  • Auxilia animais traumatizados e/ ou emocionalmente descompensados.

– É verdade que os gatos se mostram particularmente recetivos ao reiki? Mais até do que os cães?

Na verdade os gatos sentem o reiki de uma forma mais intensa que os restantes animais. De uma forma geral, automaticamente, fecham os olhos, espreguiçam-se e ficam tranquilamente a dormir durante a sessão. E se está a fazer reiki perto de um gato ele vem aninhar-se a si para também usufruir da energia. Explicações para este fenómeno não possuo, nem sei se existiram estudos capazes de satisfazer esta curiosidade, mas o que é um facto é que estes animais misteriosos conseguem percecionar energias subtis mais do que qualquer outro ser.

Desde a antiguidade os gatos são associados ao misticismo devido às suas capacidades de percecionar energias, quer positivas quer negativas e de transformar estas últimas em energias positivas.

Os gatos são animais surpreendentes, com muitas potencialidades e características por descobrir. Está cientificamente provado que as frequências do ronronar dos gatos (entre 25 e 150 Hertz) podem melhorar a densidade óssea, promover a regeneração dos órgãos, amenizar a dor, acelerar a cicatrização, ajuda a dormir, reduz o risco de enfarto, aumenta a sensação de bem-estar. Este facto foi utilizado pela NASA que patrocinou o primeiro aparelho vibratório que auxilia os astronautas no fortalecimento ósseo, durante as viagens aos espaço e aquando da sua chegada a terra firme. Para os leitores mais curiosos aconselho a visualização dos documentários do Discovery Channel disponíveis em

– De onde surgiu essa vontade de aplicar tratamentos de reiki aos animais?

Bom isso é uma longa história, mas abreviando o mais possível digamos que tudo começou por um amor inexplicável por estes seres que tudo dão em troca de muito pouco. Ajudo animais de rua em risco desde muito pequena, encontrava-os na rua e levava-os para casa, deixava os meus pais de “cabelos no ar”, mas acho que também cedo perceberam que não havia muito a fazer senão auxiliar-me sempre que era preciso ajudar mais um gato ou cão. Ajudaram-me a encontrar famílias para alguns deles, a alimentá-los, a cuidar deles, etc. Faço parte de um Grupo de defesa animal, sou voluntária numa associação animal e FAT (Família de acolhimento Temporário), esterilizo e alimento gatos de rua. O reiki entrou na minha vida por acaso e a convite de uma amiga, nem tão pouco é a minha profissão, pratico-o e aplico-o por amor ao próximo.

Claro que com este percurso de vida, estranho seria não dedicar os meus conhecimentos de reiki, também, em prol dos animais. Até porque vivo rodeada deles, entre cães, porquinhos-da-Índia, gatos, pássaros, todos fazem parte da minha rotina diária, considero-o uma forma de estar e, portanto dificilmente me habituaria a viver sem eles.

A ideia do reiki animal surgiu desde o início do curso de Reiki. No decurso da minha formação de Terapeuta de Reiki na Associação Portuguesa de Reiki (APR), fiz a proposta para a existência de voluntários Reiki nas associações animais. A proposta foi bem aceite, tanto pela APR como pela Associação Animal onde sou voluntária. Foi dada formação aos voluntários interessados e assim teve inicio o Voluntariado Reiki Animal. Não tem sido um percurso fácil, pois temos poucos voluntários com possibilidade de deslocação à associação e, por isso o projeto acabou por ficar circunscrito, e com muitas restrições de voluntários, a uma única associação. Tentei contornar o problema com a criação de um grupo de envio de Reiki à Distância para Animais, que felizmente, e graças ao carinho e dedicação dos voluntários está em pleno funcionamento. Acabei por ser convidada pela Direção da APR para ser a Coordenadora de Reiki para Animais em Lisboa.

Infelizmente, a falta de meios e recursos inviabilizaram muitos dos projetos que idealizei nesta área, mas o importante é utilizar da melhor forma possível os escassos recursos que disponho de momento e continuar a ajudar o maior número de animais.

– Já trabalhava com esta ferramenta antes, em pessoas? Com benefícios comprovados?

Sim. Antes da utilizar em animais apliquei-a em pessoas e continuo a usá-la sempre que necessário, até porque a nossa formação assim o exige. E claro com resultados positivos, de tal forma que algumas das pessoas em tratamento optam por fazer o curso, para fazerem auto tratamento. E muitos donos que têm os seus animais doentes, ao verificarem os benefícios que o reiki traz aos seus animais de companhia fazem a formação em reiki para serem eles próprios a ajuda-los.

– Qual o caso mais marcante que teve em mãos até à data?

A verdade é que todos os casos são diferentes, por isso mesmo nos marcam de alguma forma e nos fazem crescer enquanto reikianos e pessoas. Mas falaria do primeiro animal que tratei na associação. Um Pitbull resgatado de lutas de cães, que nos chegou num estado lastimável, com um grau de debilidade e de fraqueza elevado, com a paragem de um rim devido ao estado avançado da Leishmaniose. O animal encontrava-se em tratamento médico e foi-me pedido para auxiliar no processo de tratamento e de apaziguamento da dor. O tratamento foi realizado com a ajuda do voluntário que tratava dele diariamente. Apesar da desconfiança do animal face à minha presença, o tratamento correu bem e o animal foi recuperando aos poucos. O estudo bioquímico ao sangue após inicio da sessão de reiki, demonstrou resultados mais animadores e a veterinária que tratava do animal pediu-me para continuar o tratamento pois ele estava a melhorar significativamente: deixou o soro e começou a comer, ficou mais estável. O tratamento foi realizado não com a frequência desejada mas a possível, pois só estava com ele uma vez por semana. Vários fins-de-semana se passaram sem eu ter acesso ao cão, pois devido ao estado de saúde e à necessidade de atenção e cuidado constante o animal ficou em FAT.

No final de manhã de sábado de voluntariado na associação, já estava eu de saída encontrei o cão que me reconheceu, demonstrando grande agitação com a minha presença. Como na altura passava com água para levar para as boxes pensei que fosse esse o motivo e fui-lha oferecer. Mas a água não era a fonte de interesse, ofereci-lhe biscoitos, que também não era de todo o motivo de tal agitação, pois nem lhes tocou. Estranho foi quando o cão se enfiou debaixo das minhas mãos e se roçou nelas… houve uma troca de olhares entre mim e o voluntario, ficamos incrédulos com o que estávamos a ver. Foi indiscritível a sensação, pois o cão não tinha confiança em mim, olhava desconfiado para mim durante os tratamentos e naquele momento pedia-me para lhe tocar. Infelizmente, na altura não lhe pôde fazer reiki e esse peso ficou comigo, pois ele veio a falecer nessa semana.

A partir daqui comecei a aceitar o reiki de outra forma, passou a ser um modo de estar, percebi o seu significado e o porquê dele me ter chegado de forma tão inesperada. Decidi dedicar-me à causa animal colocando-lhe mais um ingrediente: o Reiki.

– E os problemas que lhe aparecem com maior frequência?

O maior número de casos presenciais que recebi foram problemas de ansiedade e de stress. Animais que estão em tratamento veterinário devido a feridas no corpo provocadas pelo próprio animal. Nestes casos os resultados do Reiki são bastantes rápidos, os donos comprovam a sua eficácia observando no seu animal uma redução significativa do estado de ansiedade, e uma menor necessidade de autoflagelo. Simplificando, o veterinário faz o diagnóstico clinico, trata as feridas e, muitas vezes receita antibiótico; o Reiki equilibra o animal para que a fonte do problema desapareça, para que a cicatrização das feridas seja mais rápida e para potenciar o efeito da medicação.

Enquanto membro do grupo de voluntários de Reiki à distância, recebo semanalmente vários casos de animais abandonados e negligenciados, animais doentes e em fase terminal, animais retirados de lutas de cães, etc. São muitos pedidos de ajuda aos quais tentamos corresponder o mais rápido possível.

[box type=”note”]Podem ler a entrevista de Reiki para animais, no Notícias Magazine ou neste PDF

Testemunho de Reiki para animais na UPPA

Carla Brito – Coordenadora de Reiki para Animais de Lisboa

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