Tuesday, October 27, 2020

A lebre, a tartaruga e o reiki

A prática de Reiki é vivida interiormente para apenas depois se poder reflectir para o exterior. A aprendizagem não é uma corrida onde o mais veloz, ou aquele que se pensa mais preparado, ganha. O Caminho do Reiki é vivenciado ao longo da prática – a cada andamento e paragem, aplicação ou reflexão. Só compreendendo o nosso interior é que atingimos a clareza de espírito para saber quando é tempo de parar ou avançar. Esopo escreveu uma fábula que representa muito bem esta ideia – a lebre e a tartaruga.

post-lebre-tartaruga-e-reiki

Certo dia, a lebre que era muito convencida, desafiou a tartaruga para uma corrida, argumentando que ela era mais rápida e que esta nunca a venceria. A tartaruga começou a treinar enquanto a lebre não fazia nada.
Chegou o dia da corrida. A lebre e a tartaruga colocaram-se nos seus lugares e, após o sinal, partiram. A tartaruga estava a correr o mais rápido que conseguia, mas rapidamente foi ultrapassada pela lebre, que percebendo já estar a uma longa distância da sua concorrente, deitou-se e dormiu.
Enquanto a lebre dormia, não se dava conta que a tartaruga estava a aproximar-se mais rapidamente da linha de chegada. Quando acordou, a lebre, horrorizada, viu que a tartaruga estava muito perto da linha de chegada. Assim, a lebre começou a correr o mais depressa que pôde, tentando, a todo o custo ultrapassar a tartaruga. Mas não conseguiu.

De forma figurada Esopo quis-nos mostrar que “Quem segue devagar e com constância sempre chega na frente”.

É a prática e insistência, como a tartaruga fez, que nos leva a alcançar o sucesso em cada meta do nosso longo caminho. O Mestre Usui dizia “De manhã e à noite, com as mãos em Gasho – Só por hoje, sou calmo, confio, sou grato, trabalho honestamente e sou bondoso”. Novamente, a consistência, o introduzir o Reiki no nosso quotidiano, na nossa vida.

No poema 35 do Imperador Meiji, “Aprendendo” podemos reflectir sobre a mesma essência:

Devias saber
A partir da forma
De como as crianças aprendem
Quanto mais praticas
Melhores resultados alcanças

E ainda no poema 60, “Em geral”, o Imperador indica-nos que devemos ter o tempo certo para o que é essencial…

Mesmo um atarefado
Pode arranjar tempo
Seja para o que for
Que realmente queira
Fazer

Nestes tempos tão conturbados, exigentes animica e físicamente, acabamos por ser traídos pela nossa mente, que continua a recusar-se trabalhar com o coração. Se vivemos exclusivamente de processos mentais, nunca chegaremos ao vazio que precisamos para compreender o bater do coração, impossibilitando-nos de sentir a realização interior de ter Mente e Coração em harmonia. O Imperador Meiji, no seu poema 98, “A Mente”, alertava-nos para a estreiteza e labirinto onde tantas vezes nos deixamos engolir e perder.

Mundo largo e espaçoso
Comunicando
A mente humana
Facilmente se bloqueia
Nos seus estreitos espaços

Todas as considerações não são apenas para um praticante de nível 1 ou 2, são também para Mestres pois todos fazemos parte deste grande coração que é a humanidade. O olhar para dentro, o trabalho interior que, tanto custa inicialmente e por vezes tão longínquo no tempo traz os seus frutos, requer a disciplina e aceitação. Se não cuidarmos de nós, se não pararmos um pouco para contemplação, o mundo não o fará por nós. “A relva de verão” , o poema 61, mostra-nos como o tempo da vida está além do nosso próprio tempo.

A relva de Verão
Representa
O mundo atarefado
Que continua a crescer
Apesar de a cortares

Continuem a praticar reiki, um dia de cada vez, Só por hoje.

 


 

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