Friday, October 30, 2020

No Caminho de Santiago – 7 dias, 7 caminhos, 7 chakras

Carmo Alves é Mestre de Reiki e partilha connosco a sua experiência no caminho de Santiago de Compostela. De 3 a 9 de Junho, indo de Valença a Santiago, Carmo percorreu um caminho interno através da prática de Reiki e do trabalho dos seus chakras.
 
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7 Dias\ 7 Caminhos\ 7 Chacras

Assim mesmo, com este título, as minhas emoções vieram à superfície e…
pus-me a caminho.
Primeiro, porque nasci e cresci na freguesia de Santiago de Montalegre, depois porque desde muito cedo, me lembro do meu pai e o meu avô me terem ensinado a localização da “Estrada de Santiago”  no Céu à noite.
Caminho esse, que desde sempre tive intenção de percorrer, porém, as circunstancias da vida de algum modo contrariaram sempre essa força, e foi sendo posto de lado.
Acontece que, há cerca de dois anos a esta parte, senti novamente vontade de fazer esta caminhada, e novamente, por razões que a razão desconhece, o caminho não se proporcionava, mas não desisti. Pus o foco.
De forma que, quando vi este título, no mural de um amigo, não me contive.
Além disso, como Reikiana que Sou, a motivação cresceu  ainda mais  e o impulso explodiu
na hora.
Desta feita seriam “2 em 1”.
Dias antes do início da caminhada, dei por mim a sentir percepcionar que iria trabalhar o “desapego”.
Desapego, pensei então, que seria o afastamento da família, a mudança do ambiente comodista do quotidiano, mas nem eu sabia o quanto…
Ao chegar ao primeiro Albergue, em Valença,  deparei-me com uma enorme carga na mochila
coisas a duplicar, até tinha uns ténis suplentes, em caso de as botas me magoarem…. enfim tive de larguar tudo até  prefazer 5 a 7 quilos de bagagem, pois é praticamente impossível, caminhar a pé durante 7 dias com um peso superior a 1 décimo do nosso peso disseram-me.
Mas não ficou por aqui, pois para preencher a caderneta de peregrina, deparei-me que me tinha esquecido do Bilhete de Identidade…..
Que desapego, até da identidade….
Teria de passar pela instabilidade diária de ser confrontada com as Autoridades. Como tinha interiorizado, pela meditação que esta seria a hora para fazer este caminho não recuei, e … só por sete dias NÃO ME PREOCUPEI, CONFIEI e ENTREGUEI, com a nítida certeza de que tudo iria correr bem.
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1º dia -:
PRIMEIRO CHACRA – (Trabalhar a relação com o aqui e agora, a vontade de viver, o estar presente só por hoje enraizamento com a Terra)
Comecei a jornada com o auto-tratamento feito. Aliás é uma prática diária que utilizo ha já uns anos a esta parte.
E que maravilha, caminhar na terra, sentir o chão, em vez de alcatrão… os cheiros das árvores, do ambiente, o canto dos pássaros, o sol… percepcionando isto tudo, senti o retorno à infância, às minhas origens, que saudades.
Foram os primeiros 30 kms… e no final do dia havia 1 companheira de viagem já lesionada.
Continuei a fazei Reiki quando assim o sentia.
Disseram ao grupo, que as bolhas nos pés, seriam de acordo com o estado emocional da pessoa.
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2º dia -:
SEGUNDA CHACRA – ((Trabalhar os relacionamentos, aprender a sentir e respeitar o outro; portal das emoções subtis da sensibilidade e criatividade, tomar conta de mim mesmo)
O Grupo acorda cansado, dorido, ficou mais permeável, houve mais interação e parceria nas conversas do caminho, permitindo fluir a cooperação, companheirismo, parceria e auto-ajuda.
O calor foi mais intenso, suaram os corpos e as ideias, misturaram-se pensamentos que vinham à ideia e dei por mim a falar comigo mesmo, por que raio me tinha eu metido nisto, estava cansada, e surgiu pela primeira vez uma turbulência de insegurança  que não conseguiria seguir viagem, pois os pés doíam-me imenso e ainda faltavam 5 dias.
No final dos 20 kms haviam duas lesões no grupo.
Predispus-me a fazer Reiki localmente após o banho e o relaxamento do grupo, o que se repercutiu nos outros, pois o facto de aliviar as dores, deu inicio a perguntas, formas, modo e como aplico o Reiki, na minha vida. E a partir deste dia, até final da jornada foram uma constante.
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3º dia -:
TERCEIRO CHACRA – (Centro da percepção de quem nós somos, do poder interno, onde se desenvolvem e harmonizam as escolhas conscientes dos relacionamentos)
Todos exaustos e doridos, continuamos o percurso, e damo-nos conta que o corpo já estava mais flexível, como que robotizado,  as pernas moviam-se já quase automaticamente e as dores começaram a desanuviar, e o incrível é que foi geral para todos nós.
Ao final de mais uma etapa, mais confiante, novamente após o banho e a refeição, fui apanhar sol para a relva do jardim, energizei-me, fiz a minha sessão de Reiki e fui ter com o grupo que estava numa sala grande, com colchões no chão, pois não havia camas suficientes na sala e tivemos de ficar instalados noutro sector.
Estava a fazer uma sessão completa de Reiki a uma companheira, aproxima-se uma pessoa que eu não conhecia de lado nenhum, a falar inglês, e perguntou-me se podia também participar na sessão o que aconteceu após perguntar à minha colega se essa pessoa podia também colaborar na sessão. Às paginas tantas dei conta que o Albergue inteiro estava de olhos postos em nós, como centro das atenções gerais.
Não ficou por aqui.
Pois em seguida, quando estou a fazer outra sessão à minha outra companheira, surge um outro sujeito, a dizer que os seguintes termos em voz alta: “Mui bueno! Isso és mui bueno!! isso és fantástico!!”.
Ao final da sessão veio ter conosco, e disse que era Terapeuta de várias áreas como Shiatsu, Tai-Chi, e outras artes orientais e também ainda era massagista e osteopata, de modo a que se prontificou a ajudar a minha colega, pois a lesão dela era na coluna tinha hérnias discais, e o peso da mochila agravou a questão.
Fez-lhe o tratamento, e disse que correu muito bem, mas que eu lhe tinha facilitado muito o
trabalho dele, pois ao ser aplicado Reiki, a paciente ficou mais descontraída, relaxada, e simplifiquei-lhe a questão e ele notou isso perfeitamente. Eu respondi-lhe que somos todos UM, e que a união das parcerias um dia formará a cura total.
Concordou completamente, e foi uma conversa que se prolongou no tempo, entre o grupo e foi muito gratificante para todos nós.
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4º dia -:
QUARTO CHACRA – (Capacidade de amar. Liberalização de julgamentos, de aceitação, amor incondicional)
Acordamos todos mais leves. Por incrível que pareça, o corpo estava a habituar-se à caminhada, ao ritmo dos pés e à chegada
ao Albergue foi mais um teste. Havia controle rigoroso de identificação e o meu coração deu um salto e tive um impulso de insegurança.
Tentei relaxar, respirar fundo, meditei os cinco princípios e entreguei. Acontece que surgiu um grupo de ” caminheiros alemães” que se colocaram na fila da recepção, e eu colei-me a eles por impulso. Ao chegar quase à minha vez, a recepcionista saiu para atender o telefone e e deu lugar a uma outra que colocou os carimbos mecanicamente sem pedir identificação, uns a seguir aos outros e pronto, lá me escapei de novo…. Para alguns foi mera coincidência, mas para mim elas não existem.
5º dia -:
QUINTO CHACRA – (garganta, vontade, comunicação, criação de atividades paralelas através das palavras e das vibrações sonoras)
O sol deu lugar às nuvens, e o caminho fez-se muito melhor. Mais doce.
Um dia pleno de comunicação. Houve divisão de comunicação no grupo. Por incrível que pareça, mas cada um começou a identificar-se consigo mesmo. As conversas foram como as cerejas. Diálogo, discussão e comunicação. Inclusivé também com outros caminhantes, que se cruzavam no caminho. Outras partilhas. A zona era propícia a banhos quentes e houve
massagens que aliviaram muita gente.
6º dia -:
SEXTO CHACRA – (Terceiro olho – Intuição. Promove a conexão entre os sentimentos do coração e a avaliação das nossas convicções)
O grupo dispersou-se. Uns ficaram para trás, outros para a frente. Acontece. Cada um tem o seu ritmo. Aprendemos que às vezes  é necessário o Outro fazer o seu próprio caminho. Não passes pelo caminho, deixa que o caminho passe por ti. E chegamos a Santiago ao final da tarde completamente exauridos.
Ainda fomos à Capela. Entregá-mo-nos. Rendemo-nos. Um completo bem estar.
Para terminar o dia em grande o Albergue estava completo. Mas a situação compôs-se e reencaminharam-nos para um outro.
7º dia -:
SÉTIMO CHACRA – (Coroa. Integração da personalidade. Da ligação física aos aspectos espirituais do Ser)
E a Capela de Santiago…. e  a MISSA DO PEREGRINO, a não perder. Recomendo. Fantástico. Muito emocionante.
Entende-se o porquê de tamanha energia.
Os peregrinos chegam a Santiago completamente leves de tudo.Tudo ficou para trás no caminho. Estão completamente soltos. Sem nada que os prenda. De modo que ali, naquele espaço, estão só realmente eles mesmos e entregam-se.
Rendem-se.
Maravilhoso.
Um local mágico a rever.
Até breve Santiago, ou quem sabe, talvez Finisterra…..
Só por hoje..
Grata ao Universo.
Grata a Mikao Usui.
p.s. (Não sofri de quaisquer bolhas e ou traumatismos nos pés durante a caminhada nem depois e TUDO CORREU MUITO BEM)
Carmo Alves

 


 

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