Desde a sua idealização, a 22 de Maio de 2008, até aos dias de hoje, a Associação Portuguesa de Reiki tem mobilizado a comunidade do Reiki e o público em geral no sentido de uma prática ética, credível, comprometida, integrativa e esclarecida.

No ano em que se assinala o 7º aniversário da Associação Portuguesa de Reiki, João Magalhães fala-nos, em exclusivo, sobre a actividade desta entidade, o recente projecto da European Reiki Federation e os desafios que ainda se colocam em Portugal.

1. Como começou o seu percurso no Reiki?

Desde muito cedo que comecei a praticar algumas técnicas de tratamento energético e um dia, em 2000, alguém me disse, «tens que experimentar Reiki, vais ver que é interessante».

Assim foi e despertou em mim algo de profundo. Não só a qualidade do tratamento era melhor, pelo tipo de energia, mas também fez e faz-me procurar sempre mais. «O que é isto que eu sinto?», «como me posso melhorar mais?».

Reiki, para mim, é mesmo algo de extraordinário, é indissociável da minha vida, é transversal a tudo o que faço.

Não gosto de apregoar que sou isto ou aquilo, que faço isto ou aquilo, as coisas surgem naturalmente. Considero-me sempre um aprendiz e a palavra Mestre é algo que não pretendo ter de conotação.

O melhor no Reiki é a partilha e o caminho a que os cinco princípios nos conduzem, para a felicidade.

2. O que o levou a criar a Associação Portuguesa de Reiki e, mais recentemente, a European Reiki Federation?

A Associação Portuguesa de Reiki surgiu como uma necessidade que não era bem minha, foi um impulso de «isto tem que surgir» e como tal não posso considerar como algo que criei, mas sim como algo que foi predisposto e necessário a surgir, que se vai criando e recriando mas sempre mantendo a missão, os valores e a visão inicial.

Ela surgiu muito do apoio que era necessário aos praticantes e de casos muito complicados eticamente, que me levaram a considerar que algo precisava de ser feito. Isto foi há 7 anos atrás, e assim continuamos no nosso trabalho diário.

A European Reiki Federation surgiu do encontro e partilha que tenho vindo a realizar com as várias associações europeias ao longo destes anos.

Partilhamos muito, temos as mesmas «dores» e necessidades, desenvolvemos projetos conjuntos intereuropeus e os frutos começarão a revelar-se em breve.

Este ano teremos um projeto de solidariedade que envolverá todas as Associações e Federações Europeias, isto mostra claramente a partilha que existe e o que o Reiki pode fazer não só por uma sociedade ou comunidade mas por um conjunto enorme de pessoas, trazendo a transformação social.

A ideia da ERF é a do desenvolvimento e esclarecimento do Reiki, alcançando objetivos comuns, trazendo a prática a cada vez mais pessoas.

3. Que balanço faz de quase sete anos de atividade da APR? Há algum projeto em particular que gostasse de destacar?

Foram sete anos de incrível trabalho, partilha e muito Reiki.

É uma aprendizagem de humanidade muito grande e exigente pois temos que lidar com as opiniões, sensibilidades, necessidades e dores de muitas pessoas diariamente. Isso leva-nos a crescer muito, a ver as nossas próprias fragilidades e a trabalhar mais para um bem comum.

Apesar dos projetos mais mediáticos serem os dos hospitais, aquele que mais me tocou foi mesmo o primeiro projeto que iniciamos na Cruz Vermelha, em 2010, e que ainda hoje continua, para seniores, intitulado Viver + Energia.

Por vezes são até as pequenas ações diárias de ajuda a quem mais precisa o que torna a particularidade da Associação e tantas coisas são feitas, desconhecidas para o público. Reiki é mesmo assim.

Considero este projeto para seniores importante porque, mesmo no final de uma longa vida, todos têm direito a viver em harmonia, sem dor, seja ela física ou emocional.

“Senti uma grande humanidade” foi o que um dos meus utentes uma vez me disse e algo que me marcou, indicando a importância de podermos chegar a quem mais precisa e quer receber.

4. A perceção do Reiki mudou bastante nos últimos anos, muito graças ao trabalho da Associação junto de várias entidades e da comunidade médica. Como caracteriza o Reiki em Portugal, hoje, e que desafios ainda falta superar?

De fato, há muito trabalho dentro da comunidade médica e científica para o esclarecimento da prática, mas esta, de certa forma, é muito mais simples pois tem necessidades muito próprias às quais conseguimos responder.

As grandes dificuldades estão ainda nos próprios praticantes, o que é natural. O Reiki é simples e incrivelmente importante para nós, como tal é muito fácil integrarmos o que somos no Reiki e o nosso sistema de crenças, só que isso por vezes leva a uma descaracterização da prática, quando levada a público.

Por exemplo, tenho muitas aprendizagens ao nível terapêutico, mas quando me pedem uma sessão de Reiki, foi isso que me pediram e é o que tem que ser feito. É como ir ao dentista e ele querer operar-me o joelho. Então, se queremos mostrar o que é Reiki e se é Reiki que nos pediram, é simples, é deixar fluir a energia.

O maior desafio é mesmo conseguirmos levar esclarecimento, apoiar e incentivar os Mestres de Reiki a darem acompanhamento nas suas formações e sensibilizar os praticantes em geral de que se querem um caminho de profissionalização devem praticar bastante.

Além de fazer Reiki em amigos e familiares, num segundo passo podem desenvolver com o voluntariado. Não só crescem compassivamente, como na prática de Reiki.

5. Qual poderá ser o caminho para a regulação e profissionalização da prática e ensino do Reiki, a nível nacional?

É um tema com o qual temos estado a trabalhar há anos, e no qual incentivamos a participação de todos os interessados e das restantes associações de Reiki. Não é fácil.

É um tema que está sempre a ter revezes, porque a maior parte dos praticantes não compreende a verdadeira necessidade por detrás desta regulação. Isso é natural, tem a ver com a experiência de vida de cada um, mas se aumentarmos a nossa perspetiva para abranger as queixas que existem, encontra-se a necessidade.

Ainda há pouco tempo, a nossa congénere francesa informou-nos de que um plano possível que estávamos a trabalhar em conjunto não foi aceite pelos seus associados, exatamente por não compreenderem a necessidade, por Reiki ser simples e tal é suficiente.

Então, o caminho para a regulamentação passa primeiro pelo esclarecimento das necessidades e não por ações de obrigação.

6. Que recomendações daria a um praticante que decida dedicar-se profissionalmente ao Reiki? E a quem procura um profissional de Reiki pela primeira vez?

Pratica muito, primeiro em ti, depois nos outros. Pelo menos tem um ano de experiência a praticar nos outros.

O Mestre Hayashi podia ensinar em cinco dias, mas depois levava os alunos para um ano de estágio, algo muito diferente de um curso de um ou dois dias, sem mais prática.

Temos que ver que iremos cuidar do outro, olhar para a sua saúde e apesar de ser “apenas colocar as mãos” há muito mais do que isso, lembra-te: “só por hoje, trabalho honestamente”.

Porque não praticar o primeiro ou o terceiro nível, para compreender a dimensão total do Reiki? Cuidar do outro implica responsabilidade, não menosprezes o teu trabalho e a quota de responsabilidade naquilo que fazes.

Se o fizeres sem experiência, estás a colocar em risco a perspetiva que se tem do Reiki. Não te esqueças de que para a pessoa que tratas, tu és o rosto do Reiki.

Observa as técnicas de Reiki, pratica-as nos teus próprios problemas – conseguiste resolvê-los? Observa os princípios e transforma a tua forma de estar na vida. Pensa de que forma poderás levar esses princípios para as pessoas que te procurarem.

Para quem procura um profissional, tente ter referências ou faça uma pequena “entrevista” primeiro.

Coloque as suas questões, pergunte o que é Reiki e de que forma pode auxiliar na sua questão. Esteja informado e não se esqueça: não é preciso tirar a roupa; o Reiki não faz promessas de cura.

7. Existe alguma técnica ou aspeto do Reiki que aprecie especialmente, que gostasse de partilhar connosco?

Tenho duas que aprecio e pratico muito. A primeira é o Joshin Kokyu Ho e a segunda é o Nentatsu Ho.

Experimenta praticar durante quinze minutos a prática da respiração, fazendo reciclar e aumentar a tua energia vital.

Depois, ainda de mente vazia, visualiza uma virtude que queres alcançar, coloca uma mão na terceira visão e outra na nuca e deixa fluir Reiki. Visualiza-te nessa virtude, a comportares-te com essa virtude. Observa os resultados.

Fonte: Entrevista realizada pelo Reiki Studio Porto

 


 

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