Falar de valores no Reiki por vezes desperta sentimentos antagonistas e muita discordância entre praticantes. Tendo um olhar prático e desmistificador, vamos tentar perceber o que é cobrar por uma sessão de Reiki e de que forma se pode encarar o valor e o dinheiro no Reiki.

Qual o teu valor ou o que queres em troca

Reiki é uma prática de amor incondicional e sobre isso não há qualquer dúvida. Se queremos praticar Reiki melhor o faremos ao elevar a consciência, através dos cinco princípios. Se os assumirmos, iremos tomar cada vez mais consciência do que fazemos e da energia com que trabalhamos. Ao elevarmos a nossa própria energia, iremos conduzir o Reiki de uma forma completamente diferente. Este amor incondicional é o saber dar sem estar à espera de receber, ou seja, é deixar que a energia flua para a cura da pessoa, dentro daquilo que para ela seja possível. Os resultados da cura têm alguma coisa a ver connosco na perspectiva de terapeutas mas muito mais ainda tem a ver com a aceitação da pessoa pela energia e também o que é possível ela transformar para a sua cura, consciente ou inconscientemente.

Se então não és tu que tens a grande responsabilidade pela «cura» então que valor tens e porque razão cobrarias o que fosse?

Vamos a casos práticos – imagina que és jardineiro. A tua função é cuidar de um jardim mas existem tantos elementos externos à tua vontade que se torna difícil calcular um resultado. Claro que queres que o jardim esteja lindíssimo e vivo, por isso tratas dele, limpas o lixo, cuidas da terra o melhor possível mas, estás consciente do muito que te escapa das mãos. Em cada dia tens uma «luta» entre o viver e o morrer do jardim. Se o jardim está a morrer, mesmo não sendo por tua culpa e apesar de todo o esforço, porque queres receber um pagamento pelo teu trabalho? Em relação a trabalho, todos desejam receber uma troca monetária.

Isto tem algum sentido – o trabalho converte-se em valor monetário para que subsista nesta realidade. E sim, um jardineiro também executa um trabalho espiritual.

Então há sempre que ter esta reflexão. Qual o teu valor, qual o valor do teu trabalho e tempo, o que queres em troca de uma sessão de Reiki. A tua integridade muitas vezes ditará o valor. Poderás sentir que em determinado caso deves oferecer a sessão, seja porque razão for. Noutros casos, simplesmente cobras pelo teu justo trabalho. Em qualquer caso é sempre importante que te sintas bem contigo mesmo, que cumpras os princípios e te valorizes.

Cobrar por uma sessão de Reiki

Uma perspectiva é a que os praticantes de Reiki têm da prática a outra é a do público em geral. Já muita gente procura o Reiki como uma terapia integrativa e complementar, não somente como algo para relaxar ou por se terem enganado pensando que iam a outro tipo de sessão. Reiki está cada vez mais associado à saúde, ao bem-estar, ao alívio de sintomas e transformação de comportamento. Assim, o valor do Reiki é também muito ditado pelo próprio comportamento dos praticantes. Se falam mal de outros praticantes, se fazem promessas de cura e práticas nada éticas, as coisas desvirtuam-se. Se praticam Reiki, então as coisas valorizam-se.

Cobrar por uma sessão de Reiki não tem problema algum é apenas o resultado de um trabalho, não é a energia que se paga é sim o tempo, saber, dedicação. Pagando a percentagem ao espaço, a deslocação, os impostos, o valor residual de uma sessão é incrivelmente baixo.

Que valores para uma sessão de Reiki

Há uns anos atrás a Associação Portuguesa de Reiki fez um inquérito sobre os valores nas sessões. A disparidade ia do gratuito a mais de €150. O valor mínimo era de €10 e as diferenças estavam presentes dependendo dos distritos. Isto traz-nos várias reflexões – preços tabelados são impossíveis; a regionalidade, muitas vezes até dentro do mesmo concelho, implica valores diferentes.

Ao longo deste tempo tenho pensado num valor que pudesse ser justo para todos e que talvez pudesse ser um referencial, um ponto de partida. E chego à conclusão dos €25. É um valor ponderado e mesmo assim muitas vezes inferior à dedicação e ao trabalho que se realiza.

A tolerância, harmonia e sabedoria nas diferenças

Com cinco princípios tão simples, nem sempre é fácil lidar com a diferença de opiniões entre praticantes de Reiki. Os praticantes devem respeitar-se, quer cobrem quer não cobrem, o importante é que estejam a fazer Reiki e que honrem a prática.

Como nota final, mesmo que pratiques profissionalmente, cobrando pelo teu trabalho, tem sempre em mente aqueles que não podem pagar, oferece quando é necessário, ou dá em troca. Continua o voluntariado pois a doação faz também parte de uma prática de amor incondicional.

 


 

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