Neste artigo sobre as Terapias Alternativas no SUS, a repórter Bia Moço faz um panorama do estado da implantação do cuidado complementar no Sistema Único de Saúde no Brasil. Apesar dos utentes considerarem muito positivas estas terapias de apoio, a comunidade médica não apoia e reconhece, muitas vezes até ridicularizando. É um tema de reflexão sobre o que é cuidar, o que é a pessoa com doença e qual o papel de aliviar o sofrimento na doença.

Terapias alternativas ainda são escassas na rede pública de Saúde

Embora as terapias alternativas façam parte do dia a dia de milhares de pessoas em todo o País desde 2006 – no total, são 29 procedimentos no SUS (Sistema Único de Saúde) –, a oferta deste tipo de tratamento médico complementar ao convencional ainda é escassa no Grande ABC. Apenas duas cidades (Santo André e São Bernardo) disponibilizam opções de práticas voltadas à saúde e ao equilíbrio vital da população. A procura pelos serviços, que levantam polêmica e não são reconhecidos por parte da comunidade médica, é intensa, embora as atividades sejam divulgadas basicamente pelo boca a boca.

Chamadas de práticas integrativas pelo Ministério da Saúde, as terapias não convencionais estão presentes em 3.173 municípios brasileiros. A estimativa do governo federal é a de que 5 milhões de pessoas por ano participem dessas práticas no SUS. Entre os serviços mais procurados estão a acupuntura (707 mil atendimentos), taichi-chuan e liangong (151 mil sessões) e auriculoterapia (142 mil procedimentos). Não foram fornecidos dados regionais.

Foi por meio de uma amiga que a corretora de imóveis Marilene Araújo Rodrigues, 55 anos, ficou sabendo que o Centro de Especialidades 1, de Santo André, oferece sessões de reiki. A terapia consiste na canalização da frequência energética por meio do toque ou aproximação das mãos e pelo olhar de terapeuta sobre o corpo do receptor. O tratamento é baseado no estudo e energização dos chakras, centros energéticos dentro do corpo humano, que distribuem a energia.

Moradora da Vila Assunção, Marilene relata que sentia dores na coluna e, em exame de ressonância magnética, descobriu seis hérnias de disco. “A princípio fui fazer fisioterapia, mas sentia mais dores. A ideia era a de cirurgia, caso não houvesse melhora. Descobri o reiki e passei a frequentar. Um ano depois, duas hérnias não existem mais”, comemora.

A corretora de imóveis lembra ainda que tinha caroço nas costas, o qual diminui de tamanho com a terapia alternativa. “Antes o caroço era do tamanho de um mamão papaya, hoje está pequeno. Fora que esse tratamento melhora tudo no dia a dia. Não tive mais dores de cabeça, durmo bem e me sinto mais calma.”

Segundo Lidia Yamasiro Kanashiro, 65, a terapia fortalece os locais onde se encontram bloqueios, chamados de nós energéticos, eliminando as toxinas e equilibrando o funcionamento celular.

Lidia faz parte da AVSSA (Associação dos Voluntários da Saúde de Santo André), cujas integrantes são conhecidas como ‘as rosinhas’ devido à cor da roupa em serviço. De forma voluntária, todas as quartas e sextas, das 9h30 às 13h30, cerca de 12 terapeutas realizam a terapia. Semanalmente, atendem cerca de 120 pessoas com as mais diversas queixas.

“Vemos pessoas saindo de depressão, síndrome do pânico, deixando de sentir dores e melhorando de problemas como insônia. Me sinto melhor quando saio da terapia”, diz Maria Inês Libert, 66, após passar por atendimento de reiki.

Para participar é preciso ir até o Centro de Especialidades 1 (Av. Ramiro Coleone, 220, Centro) e preencher cadastro. O atendimento dura menos de dez minutos. Após cinco sessões, o paciente passa por avaliação para mapear os avanços que obteve com o tratamento.

Conforme o Ministério da Saúde, evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. “Sentia muitas dores. Com o reiki diminuiu tudo. Antes ia na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) uma vez por semana. Agora não tenho precisado mais passar pela emergência”, diz Nanci de Souza Vicentin, 55.

São Caetano e Ribeirão Pires estudam incluir procedimentos

O Ministério da Saúde anunciou nesta semana a inclusão de dez novas práticas alternativas no SUS (Sistema Único de Saúde) como florais, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar e cromoterapia. A partir de agora, são 29 procedimentos oferecidos. No entanto, apenas Santo André e São Bernardo oferecem as técnicas na região e, em São Caetano e Ribeirão Pires, a inclusão dos serviços é estudada. As prefeituras não forneceram, entretanto, prazos.

No município andreense, além da prática do reiki – também aplicado no Centro Hospitalar Dr. Newton da Costa Brandão aos pacientes internado na enfermaria, e no Hospital da Mulher desde o dia 14 –, há ainda tratamentos como auricoloterapia, homeopatia, acupuntura, além de práticas corporais, respiratórias e meditativas.

Já em São Bernardo o leque é mais amplo. A cidade pretende ampliar os serviços já oferecidos: terapias como lianggong, auriculoterapia, reiki, meditação, homeopatia (sem fornecimento do medicamento), florais, shantala, ioga, fitoterapia, mindfullness, terapia comunitária, dança circular, horta comunitária e acupuntura.

“Muitas vezes, a partir do fato de interagir com outras pessoas, esses pacientes apontam melhoras. Essas práticas podem diminuir índices de ansiedade, depressão e consumo de medicações”, explica o secretário de Saúde de São Bernardo e coordenador do GT (Grupo de Trabalho) sobre o tema no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, Geraldo Reple.

CFM considera que práticas não têm fundamento científico

Para o CFM (Conselho Federal de Medicina), sobre as práticas integrativas e complementares para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) não têm resolubilidade nem fundamento na MBE (Medicina Baseada em Evidência). Em manifestação divulgada na semana passada em razão da inclusão de dez novas terapias complementares à rede pública pelo Ministério da Saúde, o órgão considera que as medidas ignoram a integração da habilidade clínica com a melhor evidência científica disponível.

O dirigente do CFM classificou o investimento nessa área como prejudicial ao SUS. “A aplicação de verbas nessa área onera o sistema, é um desperdício e agrava ainda mais o quadro do SUS com carências e faltas”, observa o presidente do CFM, Carlos Vital. Vital destaca ainda que os médicos só podem atuar na medicina com procedimentos e terapêuticas que têm reconhecimento científico e que nenhuma das práticas anunciadas nesta segunda-feira pelo ministério são reconhecidas – exceto a homeopatia e acupuntura.

Fonte: Diário do Grande ABC

 


 

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