Tempo de Plantar

AS RAZÕES PROFUNDAS QUE NOS AVIZINHAM de certos verbos, e nos distanciam de outros, devem ser buscadas não apenas no imponderável que tece a malha pura dos acasos, mas também naquelas necessidades que se alojam no âmago da nossa experiência vital e nos movem numa determinada direcção, mesmo se não temos logo a consciência dos seus motivos. E, no entanto, são essas necessidades, que tantas vezes permanecem por escutar, que mais precisamos de acolher e trabalhar internamente, pois se elas expressam a nossa ferida, também iluminam a natureza daquilo que pode constituir para nós o resgate.

O verbo plantar é um bom exemplo, É um verbo humilde e silencioso; um artesanato primitivo, duro, plástico e incessante; quase tão antigo como o Homem; ligado a uma das atividades decisivas na luta interminável pela subsistência – o cultivo da terra.

Plantar, podemos então dizer, não é uma escolha; é uma solicitação inexcusável da própria vida, que disso depende. E é sempre assim. Mesmo quando plantar se parece com um hobby sem especial finalidade; mesmo quando se configura como um fazer pontual, um desses muitos a que recorremos para nos distrairmos dos outros. Mesmo aí, o verbo plantar é um modo de aprofundar e refazer a aliança com a vida.

Talvez este seja mais do que nunca o tempo de plantar.

José Tolentino de Mendonça

Do Livro O PEQUENO CAMINHO

DAS GRANDES PERGUNTAS

 

Cultivamos o gosto pela leitura e pela escrita.

Só por hoje

Sou Calmo

Confio

Sou Grato

Trabalho Honestamente

Sou bondoso

 


 

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