A Associação Portuguesa de Reiki tem vindo a promover a homenagem a Mestres de Reiki que já partiram. Partilhamos convosco um relato sobre o Mestre Martins, por Daniela Lopes.

Sr Martins, era assim que eu o tratava.

Pessoa de bem com um coração repleto de amor para dar.

Partilhou comigo a sua história de vida e assim começou uma grande amizade, baseada num amor que eu nunca tinha sentido na vida.

A partilha dele deu-me abertura para falar da minha vida, tristezas e anseios, e no fim só falavamos no amor.

Amor? O que é o amor? Bem, o sr. Martins ensinou-me que o amor começa pela boca, pela entuação e forma como aplicamos as nossas palavras. As palavras tem muito poder na comunicação, mas não são tudo, palavras com gestos bondosos melhora a nossa comunicação. Não podia querer ter amor quando o que falava era repleto de angustia, tristeza e raiva. Não podia dizer que amava os que me eram proximos quando não aceitava o que eles eram de verdade.

Então foram muito longas as conversas que tivemos.

Lembro-me de partilhar com ele agradecendo-o, que sentia um grande eco na minha cabeça, de mobilias a arrojar de um lado para o outro até encontrarem o seu lugar. Ouvia na minha cabeça as gavetas a serem remexidas de forma organizada e fechadas de seguida. No fim das varias sessões, aprendi a ter as minhas memorias guardadas,  a ir à gaveta das que me fazem sentir feliz, voltar a senti-las, mas guardando-as de novo na sua gaveta. As memorias são passado, devemos deixa-las guardadas nas respectivas gavetas. No fim, já não existia eco, estava tudo arrumadinho e uma sensação de leveza e tranquilidade e a paz interior passou a reinar neste enorme salão que é o nosso cerebro.

Começou por corrigir a forma como eu falava. Não existem o “e se eu tivesse” ou o “talvez”, porque ou se faz ou não se faz, ou é sim ou é não.

Dizer “é dificil” é o mesmo que dizer “é menos fácil”, tem uma conotação positiva e torna a nossa comunicação mais optimista.

Foram correcções destas que me fizeram perceber o quanto eu era negativa na minha comunicação.

Tudo ficou mais leve quando me tornei leve na comunicação.

Explicou-me que as emoçoes são minhas e não dos outros, ou seja, se uma pessoa me faz sentir de determinada maneira, então não está no outro mas em mim o perceber o porque é que aquela pessoa ou coisa mexe comigo sejam emoções doces ou amargas.

Porque não tratar os nossos por “meu querido ou minha querida”, “meu amor”.

Com ele eu era a sua “querida princesa” para mim ele era o “meu menino”.

Num telefonema ou numa conversa presencial, não faltavam as gargalhadas. Que saudades eu tenho de as ouvir. Enchiam o coração de qualquer pessoa, de amor, carinho, ternura e todas as emoçoes positivas e maravilhosas que possam existir na vida.

Dizia-me em todas as sessões:

 “Quando acordares de manhã, mal consigas abrir os olhos, lembra-te:

“O dia de Hoje é o dia mais feliz da minha vida, porque é único e irrepetivel, vou vive-lo da melhor maneira.”

Um lema que ficou como algo que aplico na minha vida, agora de uma forma automatica:

“O passado já passou, não podemos mudá-lo, faz parte da nossa vida como ele é, o futuro, não existe porque ainda não aconteceu, a única coisa que existe é o agora, o teu presente. É nele que vivemos. Por isso, não vale apena trazer o passado para o presente, nem um futuro de algo que ainda não aconteceu para o presente. Viver o hoje e os seus instantes como unicos. E mesmo que no presente algo corra menos bem, não importa, todos os instantes são presentes que podemos melhorar. Como? Reconhecendo humildemente que estivemos menos bem e pedindo desculpa pelo mal causado”.

Aprendi a respeitar todos os animais e plantas deste planeta, a agradecer todos os dias à energia universal, aos anjos e arcanjos, a lembrar-me com agradecimento pelas pessoas que tem vindo a entrar no meu caminho para me ajudar e tornar a minha caminhada mais leve e feliz.

Aprendi o significado da palavra “Aceitar”, que me fez compreender, que não nos cabe a nós perdoar o que quer que seja, devemos aceitar com amor, que a acções que por vezes nos são dirigidas, são reflexo do outro e não nossas, e como tal não temos nada para perdoar. Apenas, Aceitar.

Aprendi a deixar o pensamento fluir e não me agarrar a ele.

Considero-o, o meu pai de espirito, aquele que conheceu a minha alma como ninguem, aquele que no fim de uma sessão de Reiki, nunca me dizia o que eu tinha, dizia-me sorrindo “tu és tão engraçada!”.

As sessoes de Reiki despertaram em mim, a minha criativadade, pintei dois quadros um deles é ponto fundamental para a minha vida. Nesse quadro tem as minhas ambições, descritas em palavras para que me recordam daquilo que sentia na altura em que o pintei, que não era mais do que o reflexo daquilo que recebi do sr Martins.

Nesse quadro encontram as palavras, “Vida”,”União”, “Nós”, “Compromisso”, Tranquilidade”, “Sorriso”, “Paixão”, “Alma”, “Paz”,”Ternura”,Amor”,“Calor Humano”, e datas de acontecimentos importantes para a minha vida.

Este quadro resume tudo o que recebi do Mestre Joaquim Martins, o meu menino, de cabelo branco e vestes brancas incluindo os sapatos e o seu carro smart.  Mestre com cerca de 80% de incapacidade, que ninguém via. Pessoa alegre feliz sem ressentimentos, viveu um grande amor que tinha partido à cerca de 6 anos, e partilhou todos os dias o amor por ela, ajudando todos o que foram ao seu encontro pedir-lhe ajuda. Eu fui uma delas.

Em Dezembro de 2016, o sr Martins foi internado no Hospital da Luz, com um cancro que já estava numa fase terminal. Eu tinha tido o meu filho em Agosto desse ano, não podia ir vesita-lo ao Hospital por diversos motivos, então falei com ele duas vezes, antes da sua morte:

“Sr Martins, não me diga que tem cancro?”

“Sim tenho, minha querida.”

“E agora sr Martins?”

“Então, chegou a minha hora.” (Gargalhou)

“O que posso fazer por si?”

“Lembra-te sempre das nossas conversas!”

Esta é a minha partilha da minha experiencia com o Mestre Joaquim Martins, antes de ser mestre era um homem, com uma historia igual à de muitos nós, com problemas, angustias, dor, luta, mas que conseguiu tornar a sua vida um exemplo de amor incondicional.

Agradeço por ter aceite fazer parte da minha vida e da minha história.

Caso tenhas também uma partilha e homenagem a um Mestre que partiu, poderás enviar para info@montekurama.org

 
 
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