Quando a maior parte de nós inicia um percurso na prática de Reiki, está a fazê-lo para si mesmo, para o seu desenvolvimento pessoal.

Quando se lê em artigos online que os praticantes devem tirar cursos certificados desde o nível 1 porque só assim serão reconhecidos, fica com medo. Mas há muito mais do que medo em jogo, há um claro desconhecimento do que é a prática de Reiki, do seu propósito e o próprio respeito aos praticantes de Reiki.

O que será verdadeiramente o reconhecimento da prática de Reiki

Em 1922, altura em que o Mestre Usui criou o seu Método ao qual hoje simplificadamente chamamos Reiki indicava:

Nos dias de hoje, as pessoas necessitam de melhorar e reconstruir, interior e exteriormente, a vida, daí a razão do lançamento do meu método para o público, destina-se a ajudar pessoas com doenças no corpo e na mente.

Mikao Usui

Em primeiro lugar, ele indica a necessidade de “melhorar e reconstruir… a vida”. Claramente, um propósito pessoal em primeiro lugar, que pode depois ser levado ao próximo. Para quem tente deturpar estas palavras colocando o sentido de que Reiki é apenas para tratar os outros, deve compreender aquilo que são os preceitos, também indicados por Mikao Usui.

Estes preceitos não foram criados para os outros, eles foram criados para que o próprio praticante compreendesse porque está no Usui Reiki Ryoho. Mais ainda, percebemos que é o cultivo de princípios que leva à “melhoria da mente e do corpo”.

Então, a prática de Reiki é uma via de desenvolvimento pessoal, de tomada de consciência, para uma vida com maior harmonia e calma; confiança e segurança; gratidão e entendimento da vida; diligência e perseverança; bondade e compaixão.

Nesta prática, encontramos também uma via de autocuidado, assente em técnicas de meditação, autotratamento, desintoxicação e mudança de pensamento/hábitos.

Vamos observar as terapêuticas não convencionais e perceber se a prática de Reiki tem a ver com alguma destas disciplinas ou com qualquer outra que está enquadrada no ensino em Portugal?

As terapêuticas não convencionais

Passaram a requerer um ensino superior, as profissões de terapêuticas não convencionais que se encontram regulamentadas:  

  • Acupuntor;
  • Fitoterapeuta;
  • Homeopata;
  • Especialista de Medicina Tradicional Chinesa;
  • Naturopata;
  • Osteopata;
  • Quiroprático.

Reiki e terapêuticas não convencionais – o que nada têm a ver

Em qualquer uma das terapêuticas não convencionais, o aluno poderá aplicar alguns dos seus conceitos em si e tudo nos outros. Na prática de Reiki, devemos em primeiro lugar aplicar tudo em nós próprios e, possivelmente, depois nos outros.

Quem segue as terapêuticas não convencionais, faz um caminho de vida profissional. Cresce pessoalmente, também com uma perspetiva de profissão de cuidado ao outro.

Na prática de Reiki, crescemos pessoalmente, cuidamos do outro – dos familiares, amigos, dos animais. Começamos isto mesmo no nível 1. Há quem tire um curso de Reiki também para ajudar a mãe que tem uma doença oncológica, um animal que está doente e também isso está correto, chegando depois a perceber, que tem que cuidar de si mesmo, para conseguir cuidar do outro. Este é um método absolutamente diferente das terapêuticas não convencionais.

A partir do nível 2 estimulamos o voluntariado, porque o próprio Mestre Usui o realizou quando foi o grande terramoto de Kanto a 1 de Setembro de 1923, cuidando de milhares de pessoas. Hoje temos ações de voluntariado em dezenas de instituições e com protocolos na Cruz Vermelha e Santa Casa da Misericórdia, onde realizamos o voluntariado também em Hospitais como Fundão e Faro. Mas na verdade, os maiores feitos do voluntariado são realizados quando conseguimos levar aos outros calma, confiança, gratidão, honestidade e bondade.

Quando me dizem que alguém como praticante apenas será reconhecido com cursos certificados e que Reiki é uma profissão, eu não fico com medo, eu fico perplexo.

Penso em Mestres que aprenderam e ensinam Reiki há mais de 30 anos. Penso em praticantes que com carinho e bondade aplicam Reiki em tantas pessoas com necessidade, abnegadamente e apenas com um pensamento na mente e coração – ajudar. Eu conheço centenas de pessoas assim, das mais diversas idades e nas mais diversas profissões. Eu recordo-me dos seus rostos com um sorriso quando colocam as mãos e naquele momento auxiliam o outro do seu sofrimento, o melhor que podem e sabem – e diria a eles que não o poderão fazer a não ser que tenham um curso certificado em determinado sítio?

Se há maus praticantes? Claro que sim, com em qualquer outro setor da vida, basta haver uma consciência obscura, num caminho de ignorância.

Por vezes parece que perdemos o Norte na nossa vida, acumulamos ansiedade, preocupações, vivemos com sentimentos depressivos e até nos entregamos à doença. Recebemos Reiki, continuamos com a nossa doença, mas algo mudou no interior – um sentimento de leveza, uma força que nos resgata a vida.

Aprendemos Reiki e percebemos – “ah, eu devo cultivar harmonia na minha vida e saber levá-la aos outros; eu preciso encontrar a minha autoconfiança, compreender o que é confiar nos outros e saber confiar na vida; sei que se agradecer as coisas más que me surgem poderá ser libertador e uma forma de compreender o percurso da minha vida, assim como agradecer as coisas que são boas; sei que viver em honestidade me traz vida, porque é honestidade para comigo mesmo em primeiro lugar; e sei, principalmente, que querendo uma vida boa, querendo ser bondoso para com os outros, o devo saber construir em primeiro lugar em mim mesmo”.

Esta aprendizagem de Reiki não é iniciado para uma profissão é para um caminho de vida. Se ao longo do caminho de vida encontramos o sentido de nos tornarmos profissionais, isso está também correto. Mas o que será a profissão de um terapeuta de Reiki?

Novamente devemos observar as palavras do Mestre Usui. Ele, o criador do Método, sobre a missão do que ele mesmo criou e partilhou connosco, dizia:

A missão do Usui Reiki Ryoho é guiar para uma vida pacífica e feliz. Curar os outros, melhorar a felicidade dos outros e de nós mesmos.

Mikao Usui

Se queremos seguir um caminho de cuidar do outro, precisamos saber que esse caminho é para guiar, para uma vida pacífica e feliz… como?

  • Observando os cinco princípios!

Se queremos curar os outros, percebemos que a palavra significa realizar um percurso terapêutico e temos também consciência que a Energia Vital apenas tem um papel na pessoa – a homeostasia e não um milagre. O terapeuta de Reiki não é um milagreiro, a pessoa sim e o seu sistema vivo reagem à energia e às condições do seu desequilíbrio e desarmonia.

E como poderemos melhorar a felicidade dos outros?

  • Promovendo-lhes harmonia e equilíbrio, auxiliando na mudança do pensamento (Nentatsu), na mudança dos hábitos (Seiheki Chiryo), na sua tomada de consciência (os cinco princípios)!

E como poderemos melhorar a nossa própria felicidade?

  • Cultivando harmonia e equilíbrio, mudando o pensamento (Nentatsu), mudando os hábitos (Seiheki Chiryo), ser consciente (os cinco princípios)!

Há alguma corrida para que Shiatsu seja reconhecido ou meditação?

Não há e as pessoas não deixam de recorrer a Shiatsu, Tai Chi ou de praticar meditação. Por exemplo, a meditação está em escolas, em prisões, hospitais e será que andam aflitos à procura de reconhecimento? Não!

O reconhecimento que se deve esperar é sim o do trabalho bem feito, porque não são certificações que validam trabalho. Podemos realizar uma formação e não nos formarmos. Podemos praticar Reiki e nunca o saber aplicar em outros, mas também podemos saber viver com a prática de Reiki e saber partilhá-la com os outros. Quando eu digo que “tu és o rosto do Reiki”, estas são palavras minhas, não do Mestre Usui e são uma afirmação de que se queres reconhecimento, demonstra o teu bom trabalho.

A demonstração de bom trabalho é ecoada nas seguintes palavras do Mestre Usui:

Nós, Humanos, detemos o Grande Reiki que preenche o Grande Universo. Quão mais alto elevarmos a vibração do nosso ser, mais forte o Reiki que temos, interiormente será.

Mikao Usui

Viver a prática de Reiki tem este propósito, devemos refletir seriamente sobre o caminho para onde querem levar algo de tão importante, principalmente quando o Mestre Usui indicava:

O treino, de acordo com a lei natural deste mundo, desenvolve a espiritualidade humana.

Quando te convenceres de que isto é verdade, o teu treino empenhado trará a unificação com o Universo.

As palavras que falas e as ações que tomas, tornam-se unas com o universo e trabalham sem esforço como o absoluto ilimitado.

Esta é a verdadeira natureza do ser humano.

Mikao Usui

Que treino será este? A prática de Reiki! Como? Não é apenas colocando as mãos, é vivendo os princípios e transformando a nossa própria vida.

Querer dizer que a experiência da prática é um curso certificado é reduzir ao absurdo a verdadeira essência do método.

Já escrevi mais de 10 livros técnicos sobre a prática de Reiki, ao todo, são perto de 3000 páginas sobre o Usui Reiki Ryoho, todos eles com uma única intenção – esclarecimento.

Não tirei um curso certificado, pratico Reiki diariamente há perto de 20 anos, vivo a prática porque acredito naquilo que me transforma.

As associações têm um papel muito importante – unificar, não dividir. Esclarecer, não criar medo. Ajudar, não excluir.

Desejo-te um dia feliz, pleno de prática.

 


 

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