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Prémio Hayashi 2020 atribuído a Stephan Stadelmann

Stephan Stadelmann nasceu em Zurique, Suíça, e partiu para as Américas ainda jovem para explorar as várias facetas e desafios que a vida pode apresentar. Essas experiências pessoais, em conjunto com o seu trabalho, levaram-no depois até à Ásia, tendo vivido em Singapura, na China, no Japão, e finalmente no México, antes de regressar à Suíça em 2014.
Stephan pratica e ensina Reiki há mais de 20 anos. O seu interesse pelo Reiki levou-o a explorar e investigar os ensinamentos de Mestre Usui e de Mestre Hayashi, nas várias correntes e formas de Reiki Japonês e Ocidental. Por fim, em 2003, encontrou e aprendeu Reiki com Chiyoko Yamaguchi, aluno de Chujiro Hayashi, na cidade de Kyoto, o que veio a confirmar a sua impressão de que as coisas mais importantes podem ser simples, tendo por base uma prática disciplinada.
Stephan é membro dirigente da Associação SwissReiki (www.reiki.swiss), que promove o Reiki e dá apoio à comunidade praticante de Reiki na Suíça. É também membro do Grupo Europeu de Reiki, onde criou e administra a maior base de dados com trabalhos científicos, ensaios e pesquisas sobre as energias de Reiki e de Biofields (www.reiki.group/science), em benefício do Reiki e de toda a sua comunidade a nível global.

ENTREVISTA

P: Stephan, o que o levou a aprender Reiki?

R: Em 1997, um amigo meu ficou muito doente com pancreatite, e esteve internado por duas semanas numa unidade de cuidados intensivos de um Hospital em Singapura. Não podia fazer nada para o tentar ajudar.
Por isso, perguntei a outra amiga minha se haveria alguma forma de o conseguir ajudar a ultrapassar aquela situação crítica. Recomendou-me a aprendizagem de Reiki, que ela utilizava para a ajudar com o seu gato.
No dia seguinte, inscrevi-me para uma aula de Reiki I, num sábado à tarde. Essa aula acabou por deixar-me com mais perguntas do que respostas, e um sentimento de ceticismo profundo. No entanto, apliquei o que tinha aprendido. Dois dias depois, o meu amigo foi transferido dos cuidados intensivos para uma enfermaria onde iria fazer a recuperação. Nessa altura, não acreditei que isso pudesse ter a ver com o Reiki ou com a minha ajuda, tratando-se apenas de uma coincidência feliz, mas a minha curiosidade foi despertada. Foi por isso que dei início ao meu percurso de aprendizagem e de exploração do Reiki, começando por frequentar aulas de diferentes níveis de Reiki oferecidas por diversos professores de várias linhagens, de forma a não só compreender o Reiki como também as semelhanças e diferenças entre linhagens, entre o Ocidente e o Oriente. Essa aprendizagem continua.


P: Como é que se tornou o organizador do Repositório de Investigação em Reiki do European Reiki Group (ERG)? Trata-se de uma tarefa fácil de prosseguir?
R : O Reiki funciona: é algo que eu sei, que a comunidade em geral sabe, mas existe um grande ceticismo, mesmo menosprezo, por parte das instituições médicas, de  apoio e de cuidados de saúde. Apesar disso, encontrei estudos sobre Reiki em centros académicos e institucionais. A ideia passava por recolher tantos estudos quanto fosse possível, de forma a que ficassem disponíveis a todos os praticantes de Reiki, a professores, mas também a médicos, gestores e demais pessoal ligado a cuidados de saúde, dando ao Reiki a credibilidade que merece assim como a possibilidade de lhe serem abertas portas em instituições médicas e de cuidados de saúde. Nesse aspeto, Portugal está num patamar mais avançado que a maior parte dos países a nível global.
Com a ajuda de Francis Vendrell, organizámos a base de dados na SwissReiki, que foi transferida para o European Reiki Group no ano seguinte, de forma a permitir mais fácil acesso por parte do público à informação disponível. A esta mudança correspondeu um aumento do esforço desenvolvido. Para além de projetos de estudo em inglês, alemão, francês e italiano, foram também adicionados trabalhos em português e espanhol. No entanto, a princípio, havia dúvidas sobre se deveriam ser aceites nesta base de dados trabalhos em outras línguas que não fosse o inglês.
A minha intenção era a de me demarcar da predominância do inglês do mundo do Reiki, e deixar informação disponível para os que falam mal o inglês, ou não o falam de todo. Além disso, havia o facto de, para além dos EUA, os outros dois países que se destacavam mais na produção desses trabalhos científicos serem o Brasil e Portugal, o que ajudou a tomar a nossa decisão final.
Preencher a base de dados foi, e ainda é, um trabalho entediante que envolve a pesquisa de trabalhos relevantes na Internet, em bases de dados académicas e outras fontes que possam existir. Em seguida, cada um desses trabalhos tem de ser revisto, avaliado, catalogado e traduzido.
Se me atrasar muito tempo a fazer o registo, os trabalhos começam a acumular-se e o esforço parece infindável. Esse é o único aspeto negativo.
Estamos agora no seu terceiro ano, e foram adicionados 266 trabalhos até agora. Existem ainda muitos estudos a ser encontrados relativos a anos anteriores, e são também publicados entre 3 a 4 novos trabalhos a cada novo mês que passa.
Embora se trate de um trabalho cansativo e que demora muito tempo, é também muito gratificante, uma vez que permite aumentar o conhecimento sobre o Reiki e pode ser utilizado pelos seus praticantes de forma a aumentar a reputação do Reiki.

P: É possível dar-nos dois exemplos de investigação em Reiki, e de qual a abordagem que foi usada nos mesmos?
R: Existem muitas e boas investigações sobre o Reiki, que são também muito úteis. Recordo-me de duas investigações, entre as mais recentes que foram registadas, e que apoiam a minha própria experiência e compreensão do Reiki. Nomeadamente, que para um tratamento terapêutico de Reiki obter resultados duradouros em problemas de saúde crónicos e severos, deve ser aplicado a) de forma repetida e continuada ao longo de um determinado espaço de tempo, e b) com intenção sem atenção.
Fazendo uma breve descrição dos trabalhos em causa, o primeiro é do ano de 2001, e tem por titulo “O efeito da “Imposição de Mãos” no transplante de cancro mamário em ratos” (The Effect of the “Laying On of Hands” on Transplanted Breast Cancer in Mice), por William F.Bengston e David Krinsley, em que 90% dos ratos injetados com cancro da mama recuperaram e entraram em remissão após tratamentos diários de uma hora ao longo de um mês.
O segundo é de 2004, e chama-se “O Reiki e o tratamento da enxaqueca – Técnicas de relaxamento como parte de um tratamento integrado de gestão da dor” (Reiki and migraine therapy – Relaxation techniques as an integrative treatment in pain management), por L. Merati et al., concluindo por uma redução da dor numa média de 50% em pacientes acompanhados com depressão associada a enxaqueca crónica, após uma série de tratamentos semanais ao longo de oito semanas, permitindo aos pacientes regressar ao trabalho em plenas condições.
Existem muitos outros trabalhos publicados, úteis e brilhantes, em situações de gestão de stress e de dor, e de cuidados de saúde, distribuídos por muitas especialidades e relacionados como Reiki.

P: Por que razão pensa que, existindo tantos estudos sobre Reiki desde o início dos anos 90 até ao momento presente, não foram suficientes para convencer a comunidade médica dos benefícios do Reiki?
A: Uma coisa é conseguir a publicação de um trabalho científico, e outra a de o comunicar e apresentar ao público, às entidades de gestão, e aos médicos. Ainda existem muitos passos que precisam ser dados.

P: O que poderia ser feito de melhor forma?
A: Como já referi, a comunicação externa com o público é muito importante.
Algumas abordagens que acho possíveis passam pela elaboração de brochuras ou de guias em determinadas áreas específicas (como, por exemplo, no cuidado a idosos, em cuidados paliativos, em cuidados oncológicos e em aconselhamento familiar, entre outros) servindo de apoio a voluntários ou programas institucionais.
O mundo poderia beneficiar muito com as atividades da Associação Portuguesa de Reiki, apoiadas por estudos comprovados, de forma a permitir uma perceção séria e respeitável do trabalho realizado pelos praticantes de Reiki. Talvez um projeto colaborativo inicial com o European Reiki Group?

Algumas pessoas utilizam a base de dados da ERG para publicar os seus próprios trabalhos e deixá-los em hospitais de forma a promover o treino em Reiki junto do pessoal de enfermagem, e é certo que a disponibilização de tantos estudos académicos junto de outros investigadores pode contribuir para o financiamento de mais investigação e a aceitação do Reiki.

P: Pode partilhar connosco algumas das suas expetativas acerca do futuro do Reiki?
R: Tenho uma esperança dividida em duas partes: por um lado, espero que tantas pessoas aprendam Reiki quantas seja possível, utilizando-o em seu benefício e dos outros; por outro, espero que o Reiki receba o reconhecimento devido sendo aceite como parte de um sistema integrado de saúde.
Claro que existe muito mais ligado ao Reiki para além da gestão de stress, ou da dor, mas penso que este será o caminho para lhe ir abrindo as portas, e à medida que cada vez mais pessoas se envolvem com ele e o aceitam, nem consigo imaginar até onde se poderia avançar se todos o fizéssemos em conjunto!

Tradução para português por Jorge Costa.

Stephan Stadelmann from Zürich, Switzerland, left for the Americas at an early age to explore live in its many facettes and challanges. Those experiences and his work brought him to Asia where he lived in Singapor, China, Japan and later in Mexico, before returning to Switzerland in 2014.

Stephan has been practising and teaching Reiki for over 20 years. His interest in Reiki led him to explore and research the teachings of Usui Sensei Hayashi Sensei in the various streams and forms of Japanese and Western Reiki. Finally, in 2003, he met and learned Reiki with Chiyoko Yamaguchi, a student of Chujiro Hayashi, in Kyoto, which confirmed his feelings that great things are simple and based on a practise of discipline.

Stephan, is a SwissReiki committee member (www.reiki.swiss), supporting the Reiki community in Switzerland and promoting Reiki. He is also a member of the European Reiki Group, where he has founded and manages the largest database on scientific, trial and research papers on Reiki and Biofields energy (https://www.reiki.group/science) for the greater good of Reiki and its worldwide community.

INTERVIEW

Stephan what took you to learn Reiki?
In 1997 a friend of mine got very sick with pancreatitis and was 2 weeks in the intensive care unit of a Singapore Hospital. I could not do anything to help him.
So I ask another friend if there is something else that could help him to overcome the critical situation. She recommended me to learn Reiki, as it helped her cat.
The very next day I signed up for a Saturday afternoon Reiki I class. The class left me, with more questions than answers and deep scepticism.
Nevertheless, I applied what I learn. 2 Days later, he was moved out of intensive care into a recovery ward. I did not one moment believe it had to do with Reiki or me, just a lucky coincidence. But I was intrigued. And so started my journey of learning and exploring Reiki, attending different Reiki levels by different teachers and lineage to understand Reiki, the difference and similarities between lineages, East and West. And I’m still learning.

And how come did you turn to be the organiser of Reiki Research Repository in ERG? Is it an easy task to carry on?
Reiki works, I know that we know that. But there is great scepticism or even disregard in medical, care and support institutions. At the same time, I encountered studies about Reiki in academic and institutional settings. The thought was to collect as many as possible studies, to make it accessible to all Reiki practitioners, teachers, but also doctors and medical/care personnel. Giving Reiki the deserved credibility and also open the doors, to allow Reiki into the medical/care institutions (Portugal is much more advanced than most countries in the world, in that sense).
In SwissReiki and with the help of Francis Vendrell, we set up the database, which one year later was moved to the European Reiki Group. To give more people access to the information.
This increase the effort. Apart from English, German, French and Italian, we added also Portuguese and Spanish to the abstracts of the studies.  Initially, however, it was questioned to add any language other than English to the database.
I intended to get away from the English centric dominance of the Reiki world and make the information available for not so proficient and non-English speaker. Plus the very fact that apart of the USA, the two other countries which stand out with most studies are Brazil and Portugal. So it was agreed.
To fill the database was and is a  very tedious work of searching the internet, academic databases and other sources for relevant papers. Then the papers must be reviewed, evaluated,  categories and translated.
If I wait too long to record them, the studies start to accumulate, and the work seems endless. That is the only downside.
It is now the 3 year and 266 studies have been added. There are still more studies to be discovered of the previous years and every month, 3-4 new ones are published.
Although cumbersome and very time consuming, it is also gratifying, as it widens my understanding and is used by Reiki practitioners in many ways to grow the reputation of Reiki.
Can you give us two examples of great Reiki researches and describe their approach?
There are so many great and useful Reiki researches. From the most recent additions, two spring to my mind, which support my own experience and understanding.
Namely, that for a therapeutic Reiki treatment, to have lasting effects, for chronic and severe health issues it must be applied a) repeatedly and consecutively over a certain period of time and b) of setting intention without attention.
Here is a very short description of the papers.
2001 The Effect of the “Laying On of Hands” on Transplanted Breast Cancer in Mice; by William F.Bengston; David Krinsley.
An Averg of 90% of the mice injected with breast cancer recovered, and they were free of cancer cells, after a daily one hour treatments for one month.
2004 Reiki and migraine therapy – Relaxation techniques as an integrative treatment in pain management; by L. Merati et all.
An Averg of 50% Pain reduction and accompanying depression of chronic migraine patients after a weekly treatment of 8 weeks. Enabling patients to work again at 100%.
But there are so many brilliant and useful papers in stress-, pain- and care management across many disciplines and many other fields related to Reiki.

Why do you think that having so many studies since early 90s to present day are not enough to convince the medical community of Reiki benefits?
One thing is to publish studies, and the other is to communicate and present it to the public and institutions management/doctors. There are still many gaps to fill.

What could be done better?
As mentioned before, outside communication to the public is very important.
Some approaches that come to mind is to compose brochures or guides for some specific regions (e.g. care of elders, palliative care, oncology patients and family counselling, etc.) in support of volunteers or service programes.
There the world would benefit greatly for Reiki Assoc. of Portugals experiences and supplement it with proven studies, to give a serious and reputable perception of Reiki practitioners. Maybe a first collaborative project for the European Reiki Group?
Some people have used the ERG DataBase to publish their own books to leave them at hospitals as promotion for nurse reiki training.
And of course, making so many studies available to other researchers could increase the funding for more research and acceptance of Reiki.

Share with us your dream for Reiki?
My wish is twofold, on one side I hope as many as possible people learn Reiki for their own and benefit to others. On the other side, I hope Reiki receives the due recognition to become part of the health system.
Of course, there is much more to Reiki then just stress- pain- and care management, but I feel this is the way to open the doors for Reiki.  And if more people could get involved…  I can not even imagine how far we could go together!