Quando falamos em Crescer, facilmente associamos a um crescimento físico, mas quando falamos em reiki, esse crescimento eleva-se para uma vertente mais ampla do Ser, para uma vertente espiritual. Nessa base abrem-se uma série de parâmetros sobre os quais a sociedade precisa de se perceber para se enquadrar e poder desfrutar.

Uma frase de Albert Einstein, à pouco tempo, suscitou-me total empatia:

“Os impossíveis existem quando alguém duvida deles e prova o contrário”.

Que impossíveis são estes e quando os começamos a criar?

A intervenção nas crianças, na minha experiência no trabalho em Infantários, como crianças entre os 3 e os 6 anos, centra-se na desmistificação de conceitos que eles, inconscientemente, absorvem dos adultos com quem lidam, e que os vai bloqueando ao longo da ainda pouca existência, fazendo sobressair, já nestas idades um elevado nível de falta de autoestima, insegurança, timidez, medo de afetos e rebeldia. Esta rebeldia não no sentido de falta de respeito ou de educação, mas uma rebeldia que os faz questionar tudo e todos, não se deixando facilmente levar por conversas fáceis, sem provocar contradições e exemplos práticos. Esta rebeldia, que tantas vezes, para não dizer, sempre, está presente quase de forma permanente, sobressaindo a não capacidade atual das crianças sentirem os adultos como autoridade, mas como alguém que lhes provocam estímulos, quer pela negativa, quer pela positiva. Ainda acrescento que esta rebeldia é diretamente proporcional à sua falta de autoestima, facilmente contradizem os mais crescidos, mas num afrontamento mais elevado às emoções, facilmente despem a camisola de poderosos para se renderem à sua ainda “frágil” existência terrena.

Hoje as crianças são desafios totais, bem como os adultos que se encontram em total “decadência” emocional, originando e acionando estímulos negativos nos mais novos, que se acendem diariamente quase como em regime de defesa permanente em que se encontram. É uma autodefesa que detêm intrinsecamente. O tal instinto natural da pessoa de se proteger, de se defender, de algo a quem estas crianças sabem que, inconscientemente, têm de se manter afastadas. Talvez dos tais impossíveis que até hoje a nossa sociedade tão facilmente incutiu a todas estas gerações de pessoas que hoje denotam uma necessidade de sair do sufoco em que se encontram.

Os impossíveis somos nós que criamos, porque permitimos ser atingidos por tantas impossibilidades que cremos mais valorizáveis do que nós próprios.

A minha intervenção junto das crianças, essencialmente, do Centro Infantil A Semente e Centro Infantil A Gaivota, ambas propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Tavira, vem com o objetivo principal de não alimentar impossíveis, impossíveis com os quais eu também convivi, mas que um dia duvidei do valor deles, e que me fazem estar presente nestes acontecimentos, partilhando a experiência de quem esteve do outro lado mas que aprendeu a estar a encarar a existência não com descrédito, mas como missão de vida, propósito.

As sessões de reiki nas escolas acontecem uma vez por semana, dividindo os grupos por faixas etárias, atribuindo o limite máximo de 5 crianças por grupo. As sessões contam com uma fase inicial onde falamos sobre vários temas, nomeadamente, medos, inseguranças, tristezas, dúvidas, e claro, sobre o confiar, o agradecer, o amar e o respeitar, e a fase seguinte onde fazemos reiki, eu a cada um deles individualmente, e eles uns aos outros, aprendendo a sentir o corpo relaxar através da respiração profunda, também ali ensinada.

Todas as crianças deixam uma marca em mim, mas fica contada a experiência da Alice, do Lucas e da Maria Luísa. São nomes que deixam marca.

A Alice uma menina que andou 2 anos comigo no Reiki, que foi sinalizada pela educadora à mãe como de extrema importância este contacto. A Alice era uma miúda sem expressão nenhuma no rosto, na escola chorava todo o tempo, não falava, não brincava, não comia, não sorria, absolutamente nada acontecia, ao contrário do que a mãe referia dela em casa. Quando iniciou o Reiki, e uma vez que o meu propósito não é obrigar mas sim ir ao encontro da criança, os primeiros meses com a Alice, foi para ouvir a Alice chorar chamando pela mãe, sem expressão, sem vida, aos poucos a Alice foi percebendo as conversas que tinha com os outros colegas, também muito no sentido real dela, para que ela sentisse a mensagem, e foi verificando que o reiki fazia bem aos outros, eles gostavam e comentavam. Foi deixando gradualmente de chorar e chamar pela mãe, e entregou-se, com um ligeiro sorriso que ainda tentou controlar, e com todo os outros posteriores, sendo que a prática de reiki foi sendo feita a ela, passando de uma criança de 3 anos sem expressão, a uma criança de 4 anos com um sorriso de orelha a orelha.

Outra criança, o Lucas, andou também dois anos comigo, sendo que o primeiro nunca permitiu um abraço, um beijo, uma festa na mão ou na face, nada de afetos existia para este menino de somente 4 anos de idade. A revolta tomava conta de seu rosto quando eu tentava conseguir abraçá-lo ou outro afeto já enunciado. Durante o primeiro ano em andou no Reiki nunca permitiu fazer-lhe reiki, mas as mensagens, tal como com a Alice, íam passando, ele ia sentido essas mensagens, trabalhadas nos outros, para ele também, e foi sentindo a energia reiki, percebendo-a agradável, permitindo aos poucos que se começasse a soltar entregando-se à terapia e aos afetos, conquistando amor próprio, facto que não detinha.

A Maria Luísa é o exemplo de uma criança doce, simpática, meiga, mas sem atitude, sem segurança nela, quando confrontada com uma pergunta, ou diz que não sabe, ou espera que alguém responda primeira, para que ela use essa mesma resposta para ela. Tudo isto foi mudando, na Luísa ou noutra criança qualquer, foram colocadas, em cada um, as sementes que ele próprio precisava, abrindo-lhes os horizontes dos possíveis. Possíveis que temos de acreditar e valorizar em nós, sendo que os medos, receios e inseguranças, nos bloqueiam não permitindo que evoluamos e que sejamos felizes, sejamos nós próprios.

Trabalham-se os medos, as críticas, as inseguranças, incentivando-os e exemplificando as capacidades e a importância de nos testarmos para que acreditemos. Trabalha-se o amor, o agradecer o abraçar, entre tantos outros conceitos importantes para que formem uma estrutura emocional estável e valorizável.

Muito Grata- Ana Patrícia Mendes

APR- JORNADAS DE TERAPEUTAS DE REIKI FARO, 4 DE FEVEREIRO DE 2017
INSTITUTO PORTUGUÊS DO DESPORTO E DA JUVENTUDE
CRESCER COM REIKI
Ana Patrícia Mendes
Coordenadora do Núcleo de Reiki de Tavira

jornadas de terapeutas de reiki geral