Núcleos de Reiki,  Prémio Hayashi de Investigação Reiki

Cuidar de Quem Cuida — Impacto das Partilhas de Reiki no Bem-Estar Emocional de Cuidadores em Contexto Institucional

Um estudo qualitativo realizado numa instituição de acolhimento de jovens em Portugal procurou compreender o impacto percebido das partilhas de Reiki no bem-estar emocional dos cuidadores. Os testemunhos recolhidos sugerem que estas sessões foram vividas como momentos importantes de pausa, relaxamento, regulação emocional e autocuidado, com possíveis reflexos na relação estabelecida com os jovens acompanhados.

Podem ler este estudo aqui…

Cuidar de Quem Cuida: impacto percebido do Reiki no bem-estar emocional de cuidadores

A importância de apoiar quem cuida

O acompanhamento diário de jovens em situação de vulnerabilidade social e emocional pode representar uma elevada exigência para os profissionais que trabalham em instituições de acolhimento.

Estes cuidadores lidam frequentemente com histórias de vida complexas, dificuldades comportamentais, conflitos e situações emocionalmente desafiantes. Para manterem uma presença equilibrada e disponível, necessitam não apenas de competências técnicas, mas também de condições que protejam o seu próprio bem-estar.

Neste contexto, cuidar de quem cuida torna-se uma dimensão fundamental para a sustentabilidade do trabalho institucional e para a qualidade do apoio prestado aos jovens.

O projeto “Cuidar de Quem Cuida”

O estudo nasceu da experiência desenvolvida no âmbito do projeto Cuidar de Quem Cuida, dinamizado pelo Núcleo APR de Reiki de Nogueira da Regedoura.

Ao longo de aproximadamente um ano, foram realizadas partilhas regulares de Reiki com cuidadores de uma instituição de acolhimento de jovens. Estas sessões procuraram proporcionar um espaço de pausa, escuta, relaxamento e cuidado dirigido aos próprios profissionais.

As partilhas foram dinamizadas por Isabel Ângela Oliveira, terapeuta de Reiki e coordenadora do Núcleo APR de Reiki de Nogueira da Regedoura.

Como foi realizado o estudo

Tratou-se de um estudo qualitativo e exploratório, baseado na experiência subjetiva dos participantes.

Participaram cinco cuidadores, que responderam voluntária e anonimamente a questionários sobre:

  • as razões que os levaram a participar;
  • as mudanças sentidas após as sessões;
  • o impacto percebido no bem-estar emocional;
  • a influência das partilhas na vida profissional e pessoal;
  • a forma como passaram a lidar com os jovens.

Quatro participantes frequentavam as partilhas há cerca de um ano ou mais, enquanto um participava há três a seis meses. Esta continuidade permitiu recolher perceções construídas ao longo de um período relativamente prolongado.

Porque procuraram as partilhas de Reiki?

As principais motivações apresentadas pelos cuidadores foram:

  • necessidade de relaxar;
  • procura de equilíbrio emocional;
  • possibilidade de parar e cuidar de si;
  • procura de tranquilidade num ambiente profissional exigente.

Um dos participantes sintetizou esta necessidade afirmando:

“Sinto que é o momento em que paro.”

Outro referiu procurar um maior equilíbrio entre a componente emocional e racional do trabalho.

Estas respostas demonstram que os cuidadores reconheciam a necessidade de criar momentos de autocuidado dentro da sua rotina profissional.

Principais mudanças percebidas

Todos os participantes referiram ter sentido algum tipo de mudança positiva após a participação nas partilhas de Reiki.

As mudanças mencionadas com maior frequência foram:

  • maior sensação de calma;
  • redução do stress;
  • sensação de leveza emocional;
  • melhor regulação das emoções;
  • maior capacidade para lidar com situações difíceis;
  • maior sensação de apoio e acolhimento.

No gráfico apresentado no estudo, todos os cinco participantes identificaram a redução do stress e a sensação de calma como impactos percebidos. Quatro participantes referiram também melhor regulação emocional, maior presença no cuidado e sensação de apoio.

Entre os testemunhos recolhidos encontram-se expressões como:

“Sinto-me mais calma e leve.”

“Consigo lidar com as situações com mais calma e paciência.”

“Sinto-me muito mais capaz de lidar com algumas situações instáveis no contexto dos jovens.”

Os resultados apontam, assim, para um impacto percebido sobretudo no domínio emocional e relacional do cuidar.

Um espaço onde o cuidador também é cuidado

Um dos aspetos mais significativos do estudo foi a forma como os participantes descreveram as sessões enquanto espaço de reconhecimento pessoal.

Num contexto profissional em que a atenção está constantemente dirigida para as necessidades dos outros, os cuidadores podem colocar em segundo plano o seu próprio equilíbrio emocional.

As partilhas de Reiki foram descritas não apenas como momentos de relaxamento, mas também como oportunidades para se sentirem vistos, acolhidos e valorizados.

Um dos testemunhos expressa claramente esta dimensão:

“Sinto que sou vista como digna também de cuidado.”

Esta perceção reforça a importância de as instituições reconhecerem que os profissionais também necessitam de apoio, escuta e momentos dedicados ao seu bem-estar.

Impacto na relação com os jovens

Alguns participantes consideraram que a calma e o equilíbrio sentidos após as sessões influenciaram a forma como se relacionavam com os jovens.

Foram referidas mudanças como:

  • maior paciência;
  • mais empatia;
  • maior disponibilidade emocional;
  • maior tranquilidade perante situações instáveis;
  • maior capacidade de presença.

Uma cuidadora afirmou:

“Estando emocionalmente mais calma e serena, a minha disponibilidade para os jovens também é maior e mais tranquila.”

Outro participante referiu conseguir desenvolver maior empatia para com os jovens e com as situações que os envolviam.

Estes testemunhos sugerem que o impacto percebido das partilhas poderá ultrapassar o bem-estar individual do cuidador e refletir-se na qualidade da relação de cuidado. Contudo, esta influência foi relatada pelos próprios participantes e não foi avaliada através de medidas externas ou observação independente.

Um contributo para a humanização do cuidado

O estudo destaca que apoiar emocionalmente os cuidadores pode contribuir para ambientes institucionais mais equilibrados, conscientes e humanizados.

A criação de espaços regulares de pausa e autocuidado poderá ajudar os profissionais a gerir o desgaste emocional associado ao acompanhamento de jovens com necessidades complexas.

Neste sentido, as partilhas de Reiki foram percecionadas como:

  • uma oportunidade de descanso emocional;
  • um apoio à regulação do stress;
  • um espaço de reconhecimento do cuidador;
  • um contributo para uma cultura institucional de autocuidado;
  • uma possível influência positiva na qualidade das relações.

Cuidar dos profissionais não deve, portanto, ser entendido apenas como uma medida de bem-estar individual. Pode também representar uma forma de apoiar a continuidade, a estabilidade e a qualidade do cuidado oferecido às populações mais vulneráveis.

Limitações do estudo

Os resultados devem ser interpretados com prudência.

O estudo envolveu apenas cinco participantes de uma única instituição, o que não permite generalizar as conclusões para outros cuidadores ou contextos institucionais.

Os dados baseiam-se igualmente nas perceções subjetivas dos participantes, recolhidas através de questionários qualitativos. Não foram utilizados grupos de comparação, instrumentos clínicos de avaliação ou medições realizadas antes e depois das sessões.

Por esse motivo, o estudo não permite afirmar que as mudanças relatadas foram causadas exclusivamente pelo Reiki. Permite, sobretudo, conhecer e valorizar a experiência vivida pelos cuidadores que participaram regularmente nas sessões.

Futuras investigações poderão incluir amostras mais amplas, diferentes instituições, avaliações quantitativas e qualitativas e acompanhamento ao longo do tempo.

Conclusão

Este estudo exploratório sugere que as partilhas de Reiki foram percecionadas pelos cuidadores como momentos significativos de pausa, calma, apoio e regulação emocional.

Os participantes destacaram sobretudo a redução do stress, a sensação de tranquilidade e uma maior capacidade para lidar com situações profissionais exigentes. Alguns consideraram ainda que este equilíbrio se refletiu numa maior paciência, empatia e disponibilidade no acompanhamento dos jovens.

Apesar da reduzida dimensão da amostra, o estudo contribui para uma reflexão importante: a humanização do cuidado deve incluir não apenas quem recebe apoio, mas também os profissionais que diariamente assumem a responsabilidade de cuidar.

Cuidar de quem cuida é uma dimensão essencial para construir ambientes institucionais mais humanos, conscientes e sustentáveis.

Ficha técnica

Título: Cuidar de Quem Cuida — Impacto das Partilhas de Reiki no Bem-Estar Emocional de Cuidadores em Contexto Institucional
Autora: Isabel Ângela Oliveira
Ano: 2026
Projeto: Cuidar de Quem Cuida
Promotor: Núcleo APR de Reiki de Nogueira da Regedoura
Contexto: instituição de acolhimento de jovens em Portugal
Tipo de estudo: qualitativo, exploratório
Participantes: cinco cuidadores
Recolha de dados: questionários qualitativos, anónimos e voluntários
Principais resultados percebidos: redução do stress, maior sensação de calma, melhor regulação emocional, maior presença no cuidar e sensação de apoio
Palavras-chave: Reiki; cuidadores; bem-estar emocional; autocuidado; humanização do cuidado; contexto institucional.

Este estudo recebe o Prémio Hayashi de Investigação Reiki, menção honrosa.

Podes ler este estudo aqui…

A Associação Portuguesa de Reiki é uma Associação sem fins lucrativos para o apoio a praticantes de Reiki e esclarecimento sobre o Reiki em Portugal.

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