No ano do terapeuta de Reiki, a Associação Portuguesa de Reiki promoveu, a 28 de outubro de 2017, a 8.ª edição do Congresso Anual de Reiki no Centro da Alfândega do Porto.

Perante uma plateia de mais de duas centenas de praticantes e curiosos sobre a prática de Reiki, João Magalhães, presidente e fundador da Associação Portuguesa de Reiki, começou por conduzir uma curta sessão de Reiki para o planeta Terra, à qual se seguiu a entrega de três prémios “Usui de Excelência” que correspondem a um reconhecimento pelo trabalho que vários profissionais desempenham “de forma meritória” na prática de Reiki.

O primeiro prémio foi entregue a Maria João Vitorino, da Comissão Nacional de Ética, o segundo a Marta Silva, criadora do Hino dos Cinco Princípios, e o terceiro prémio Usui foi para Paula Roque, pelo projeto que fomenta no hospital do Fundão desde 2013. Foi, também, atribuída uma medalha de mérito aos voluntários do hospital.

Na sessão de abertura foi, igualmente, anunciada a entrega do prémio sobre a investigação em Reiki.

“Reiki, a Arte de Ser Feliz – Reiki inclusivo” – CERCIGUI

Neste dia inteiro dedicado à partilha de experiências e saberes na arte do Reiki, Marta Silva e Ofélia Lestre foram as primeiras oradoras da manhã. No painel intitulado “Reiki, a Arte de Ser Feliz – Reiki inclusivo”, ambas partilharam a sua experiências enquanto voluntárias e mentoras do projeto de ensino de Reiki na CERCIGUI – Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do Concelho de Guimarães onde lidaram com «pessoas diferentes mas que querem ser tratadas como iguais». O projeto começou há sete anos e, entre 2013 e 2014, os clientes da CERCIGUI começaram a receber Reiki nas instalações do CENIF em Guimarães.

O trabalho começou com o ensinamento dos Cinco Princípios de Reiki e depois a sintonização. O passo seguinte foi cada um aprender a cuidar de si próprio para, em seguida, fazê-lo a outros voluntários dentro da CERCI e só depois passaram a fazê-lo noutras instituições. «Somos todos diferentes, por isso, não faz sentido referirmo-nos só a eles como diferentes», afirmou Marta Silva.

Seguiram-se festas de Natal, Carnaval, eventos solidários e até um jantar ao abrigo da iniciativa “Reiki, a Arte de Ser Feliz”. No ano passado os voluntários deram um dos passos mais largos neste percurso ao levar os próprios clientes da CERCIGUI a dar Reiki num lar de 3.ª idade. Ofélia Lestre lembra esta fase com grande orgulho: «Como pessoas que são eles têm competências, por isso, o desafio passou a ser o de eles darem a quem precisa». 

Reiki no Hospital do Fundão (Paula Roque)

Do Hospital do Fundão vem outro relato de sucesso na aplicação de Reiki aos utentes das consultas externas. Paula Roque mostrou a evolução da iniciativa que, a dar seis consultas por semana, até setembro já tinha 613 consultas dadas nos últimos quatro anos.

Paula Roque demonstrou os benefícios obtidos com a aplicação da prática de Reiki no hospital do Fundão desde 2013.  Aqui, todas as sextas-feiras há consultas de Reiki para os doentes do Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB).

O desafio de instituir uma oferta diferenciada de consultas dentro de um hospital foi enorme apesar de Paula Roque ter defendido com grande convicção as vantagens de levar o Reiki para o Sistema Nacional de Saúde, como complemento das consultas. Oferta diferenciadora e que faz cada vez mais sentido terem. «Se algum de vós decidir implementar uma iniciativa semelhante, saibam que há alguma abertura. Apresentem o vosso projeto num centro hospitalar, tendo em atenção que sendo uma prática complementar de terapia tem de saber estar dentro de um hospital. Estas pessoas que atendemos não chegariam ao Reiki por outra via», incentiva Paula Roque.

Todas estas iniciativas têm de decorrer com base no respeito e entendimento entre o trabalho do setor médico e das terapias complementares, sabendo que cada técnico tem o seu campo de atuação, sempre com o foco no benefício do utente.

«Fazemos Reiki para acompanhar as pessoas no seu percurso de mudança dentro das patologias de que sofrem. Fazê-lo dentro de um hospital faz todo o sentido porque estes utentes não chegariam ao Reiki por outra via», explicou Paula Roque sobre as terapias de Reiki que duram 45 minutos por sessão.

Estando comprovados os resultados da terapia ao nível de uma redução da dor e da ansiedade, bem como na mudança de hábitos mentais e emocionais, hoje em dia já são os médicos a aconselharem a realização de Reiki. Face ao sucesso dos resultados, muitos utentes optam por fazer a iniciação em Reiki logo a seguir, para aprenderem a cuidar deles próprios.

No Hospital do Fundão as patologias que têm maior procura de Reiki são a oncologia, depressões, stresse, ansiedade, doenças crónicas com dor e também já vai aparecendo algum trabalho com crianças.

No Fundão, as pessoas com idades entre os 40 e os 50 anos são as mais recetivas a receberem Reiki, o que contraria uma ideia que tem vindo a proliferar de que os mais idosos não querem saber de terapias complementares. Há casos na faixa dos 70 ou mais anos que tiveram boa aceitação das consultas de Reiki. «É importante o Reiki estar num hospital público e misturar-se com a medicina tradicional, trabalhar em conjunto e complementarmo-nos», concluiu Paula Roque.

Reiki no Hospital de Faro (Magda Fernandes e Rosa Bual)

No Hospital de Faro há também voluntários que têm ajudado a cimentar os resultados práticos da aplicação de Reiki, nomeadamente em utentes com doença oncológica.

Com enfermeiras que lidam com doenças oncológicas há mais de uma década, surgiu a necessidade de criar o projeto “Sentir o Reiki” que começou em junho de 2015. Inicialmente, a ideia teve de enfrentar alguns entraves que foram ultrapassados em boa parte graças à empatia que os voluntários criaram com os utentes. Aqui, começaram por ser sete utentes e hoje em dia já são mais de 30.

«Quando se fala com o coração, o universo ajuda-nos. O Reiki é uma boa ajuda em momentos difíceis da nossa vida ao nível físico, emocional e espiritual. O destino coloca as pessoas certas nos momentos certos da nossa vida», refletiu Magda Fernandes.

Para o projeto vingar foi preciso haver factos e provas das vantagens da aplicação de Reiki. Nesse processo foi necessário recorrer à Escala de Edmonton na qual, num intervalo de 0 a 10, o doente oncológico descrevia a intensidade das náuseas. Atualmente é usada a escala de depressão e ansiedade.

Reiki e Terapias Complementares no Hospital do Barreiro

Ana Cristina Ramos, Lurdes Gameiro e Paula Duarte são as três voluntárias que levam a cabo o projeto voluntário de aplicação de Reiki no Hospital do Barreiro em três momentos distintos: no recém-nascido, na pré-mamã e nos profissionais de saúde.

Paula Duarte lembra que em 2012 começou o projeto de Reiki direcionado às enfermeiras do bloco de partos e serviço de obstetrícia para aprenderem a cuidar delas próprias. «Começar é bom; dar continuidade ao projeto é que é mais difícil, mas continuamos a fazer, crer e acreditar», desabafa.

90% dos profissionais que receberam Reiki atribuiu à sessão um grau de utilidade “muito útil”. 74% sente-se mais leve e menos stressado após a sessão enquanto 100% refere bem-estar, apesar de se queixarem da falta de tempo para praticar Reiki.

Já Ana Cristina Ramos decidiu experimentar aplicar Reiki aos recém-nascidos por ser uma tendência que está a emergir, não no sentido de substituir os tratamentos tradicionais, mas sim como complemento de outras práticas e tratamentos. Nos bebés, um dos grandes transtornos que o Reiki pode ajudar a contornar está relacionado com as cólicas, muito frequentes nos primeiros dias após o nascimento, sendo «uma fonte de sofrimento e angústia para o próprio que se traduz num sentimento de impotência para os pais».

Depois da aplicação da terapia, Ana Cristina Ramos notou que os bebés ficavam mais relaxados porque se verifica um realinhamento da energia vital, trazendo o equilíbrio energético ao corpo e uma sensação de bem-estar. As manifestações de choro e movimentos musculares bruscos e intensos derivados da dor são amplamente suprimidas graças ao Reiki. Para esta conclusão foram feitas 284 observações no período compreendido entre 4 de março e 8 de junho de 2016. «É importante divulgar e ampliar esta prática terapêutica tão ancestral e que tantos benefícios traz ao recém-nascido, promovendo o seu bem-estar de uma forma não invasiva e não farmacológica», conclui Ana Cristina Ramos.

Ainda na mesma instituição hospitalar, Lurdes Gameiro partilhou a sua experiência ao fazer massagem de Shiatsu durante o trabalho de parto.

Esta terapia, ligada à medicina tradicional chinesa, foi descoberta em 1912 e na sua experiência, Lurdes Gameiro verificou níveis de satisfação superiores a 60%. A massagem é efetuada com a palma da mão exercendo movimentos rotativos. Para as mulheres que estão em trabalho de parto, há um determinado ponto que, ao ser pressionado, pode aliviar tensões e deixar fluir a energia, sangue e linfa noutra zona do corpo e, assim, aliviar a dor.

Resultados do Estudo sobre Envio de Reiki à Distância (Luis Matos)

Luís Matos teve a sempre difícil, mas muito compensadora tarefa de apresentar os resultados concretos e quantificáveis da aplicação de Reiki à distância. Na apresentação da investigação “Medições Instrumentais na Água e no Espaço Envolvente Durante um Estudo Aleatório Cego e Controlado Sobre Intenção Focada”, publicada numa revista da especialidade em maio deste ano, Luís Matos demonstrou, com base em dados quantitativos, que é possível alterar o estado vibracional das moléculas de água em frascos localizados no laboratório da FEUP Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto – onde decorreu o estudo em setembro de 2015.

O objetivo foi avaliar as interações resultantes da intenção induzida pelo Reiki (a intenção era alterar o estado molecular da água). No trabalho colaboraram 32 praticantes de Reiki de níveis 2 e 3 que meditavam entre os 2 e os 45 minutos. As variáveis medidas foram o campo magnético, a radiação UV-VIS, o pH, o espectro Raman e a condutividade elétrica.

«Espero que venha a abrir janelas no futuro para a compreensão do que é o Reiki porque, em Ciência, é frequente os resultados de um estudo darem origem a mais perguntas do que respostas. Foi o que me aconteceu com este», descreve Luís Matos.

O estudo, que ganhou um prémio em investigação Reiki – inteligente de cabeça e coração – concluiu que as medições e a análise combinada das variáveis apontam para alterações coincidentes com momentos específicos do período experimental. As medições poderão ser fisicamente condicionadas pelo pensamento, embora sejam necessárias observações adicionais para se chegar a esta conclusão efetiva. Ainda assim, ficou demonstrado que um determinado espaço pode ser alterado quando submetido a uma intenção permanente. Verificou-se, ainda, que a água em torno da que estava a ser alvo da intenção também sofreu alterações, embora menores.

Reiki na Fundação Ronald McDonald (Filomena Pessanha, Nuno Nunes e Isabel Ávida)

A tarde do VIII Congresso de Reiki começou com a partilha da experiência dos voluntários que trabalham nos núcleos do Porto, Ermesinde e Penafiel da Fundação Ronald McDonald onde foi feita a experiência da aplicação de Reiki a crianças com doença oncológica onde o recurso ao livro “Super Reikinho” foi fundamental. Promover o bem-estar físico, mental e emocional de crianças e pais é o objetivo deste projeto concretizado na Fundação. «O Reiki é simples; nós é que o complicamos» aprendeu Nuno Nunes.

Reiki e Acupuntura para Animais (Cláudia Cardoso)

A médica veterinária Cláudia Cardoso partilhou a sua muito satisfatória experiência na aplicação de Reiki a animais. Do seu ponto de vista, falar de Reiki em animais é praticamente o mesmo que falar em Reiki no Ser Humano, uma vez que «todos somos energia».

Recorrendo à etimologia da palavra Reiki (Rei – sabedoria divina; Ki – energia vital), Cláudia Cardoso explicou que viu na acupuntura um caminho para a energia curativa melhor passar pelo corpo dos animais. «Na medicina tradicional chinesa a doença é um bloqueio que, ao desbloquearmos com a nossa mão, ajudamos a manter certo o fluxo da energia e deitamos fora a doença».

Na sua aplicação a animais com doenças musculo-esqueléticas e neurológicas, a veterinária verificou que se apresentavam mais calmos logo após a primeira sessão. «A energia existe, é curativa e benéfica em todos os aspetos», assegura. 

FÓRUM – A Prática Terapêutica, que futuro e as suas técnicas

Ainda durante a tarde, e num momento mais aberto à participação do público, Maria João Vitorino, da Comissão Nacional de Ética para a Terapia de Reiki, esclareceu qual o papel da Associação Portuguesa de Reiki que se pretende que funcione cada vez mais como um Fórum de Terapeutas de Reiki, nomeadamente através da publicação de artigos, apoio a práticas terapêuticas através de instrumentos de trabalho, esclarecimento e apoio em projetos de voluntariado, uso de logotipos oficiais, bem como acompanhamento em códigos e condutas de ética. As pessoas devem ter bom caráter, prática, vontade, consciência e empenho mas não devem fazer promessas; apenas garantir que aplicam Reiki a todos os que dele precisarem. «O praticante de Reiki tem que ser honesto consigo próprio. Quanto mais sinceros formos, menos nos podem apontar o dedo. O Reiki dá-nos instrumentos para trabalhar a felicidade», diz Maria João Vitorino.

A obtenção pouco ética de lucros com a terapia de Reiki também foi abordada com Maria João Vitorino a lembrar que o Reiki é um sistema de cura natural que passa, em primeiro lugar, pelo canal da própria pessoa: «Para se ser um bom terapeuta é preciso saber cuidar de nós, com pensamento claro e lúcido, e só depois podemos tratar dos outros. Se formos só mecânicos a reproduzir técnicas não devemos permitir que esta filosofia seja o nosso reflexo».

A maioria das situações que os terapeutas presentes no congresso admitiram encontrar no dia-a-dia estão relacionadas com ansiedade, depressão, doenças oncológicas, problemas cutâneos, doenças musculares, baixa auto-estima, consumo de drogas e traumas do foro psicológico. O Reiki não oferece uma cura mas quem o pratica ou recebe acaba por sentir melhorias.

Reiki e Relacionamentos

“Reiki e Relacionamentos” foi o tema que fechou o congresso de 2017. Juliana de ‘Carli foi a primeira oradora a abordar o assunto explicando que, quer o relacionamento seja entre uma pessoa e um objeto ou entre duas pessoas, trata-se sempre de polos e energias. Antes de mais o terapeuta tem de ter uma boa relação com a sua própria energia e, depois, com o local de atendimento. Cada alimento que ingerimos tem uma série de vibrações que são levadas ao corpo astral e físico. Sentimentos, desejos e experiências do terapeuta também devem ser observados por forma a perceber se está apto a conduzir o seu melhor Reiki.

Partindo do chakra do plexo solar como base para este trabalho de harmonia, Juliana de ‘Carli lembrou a importância de percebermos sentimentos e desejos desarmónicos, bem como situações inesperadas no sistema reativo para se poder fazer o auto-tratamento de neutralização. «Cada momento da nossa vida tem uma energia; cabe-nos a nós escolher se vai ser positiva ou negativa porque temos responsabilidade sobre as nossas escolhas. O Reiki ajuda a ter mais clareza rumo a um percurso de evolução», expôs Juliana de ‘Carli, enquanto esclarece que «a pessoa que se alinha com os chacras básico e umbilical transforma-os em energias mais elevadas manifestando a sua essência e plenitude espiritual». Se dominarmos o nosso plexo solar, diz Juliana, vamos conseguir dominar ações espontâneas ligadas aos desejos e emoções vitais. Não desejar e só fazer bem ao outro desinteressadamente faz com que a vida comece a fluir de forma mais harmoniosa; quando nos cruzamos com as pessoas temos que nos posicionar de uma forma amorosa ou, pelo menos, neutra.

Fortalecer o chackra do plexo solar fortalece a relação do terapeuta com o recetor de Reiki, assim como a quantidade e qualidade de energia transferida.

Na reta final do congresso, e ainda sobre o mesmo tema, falou Sara Cardoso que ajudou a ultrapassar os naturais bloqueios emocionais que cada um de nós atravessa seja enquanto terapeuta ou não. Voltando os 5 Princípios de Reiki, diz-nos que as mudanças emocionais e psicológicas mais significativas acontecem com a repetição diária dos mesmos. Outro caminho passa pela aplicação do princípio da bondade: sê bondoso com os outros e contigo mesmo.

«O relacionamento connosco próprios é o mais importante da nossa vida. Como me dou comigo mesmo? Como me sinto comigo? Como me trato? São tudo questões que nos devemos colocar para vermos as pessoas magníficas que somos e conseguirmos relacionamentos mais saudáveis», resumiu Sara Cardoso.

Vivenciar a nossa essência pelo lado positivo traz crescimento e fortalece o poder pessoal que todos temos. Uma ideia-chave com que João Magalhães fechou este VIII Congresso de Reiki salientando “a unidade e o Eu através do equilíbrio e harmonia”.

Reportagem realizada pela Jornalista Daniela Azevedo.