Núcleos de Reiki,  Reiki nas Escolas

Projeto desenvolvido pelo Núcleo de Reiki de Portalegre foi distinguido com o Prémio Helena Tempera — Reiki em Escolas

Em 2025, o Núcleo da Associação Portuguesa de Reiki de Portalegre levou o Reiki à Escola Secundária de São Lourenço, numa iniciativa dirigida a uma turma do 12.º ano da disciplina de Psicologia B.

O projeto nasceu de um convite do professor João Teixeira a Gertrudes Grilo Coelho, Coordenadora do Núcleo de Reiki de Portalegre, terapeuta e Mestre de Reiki, licenciada em Serviço Social e mestre em Educação e Proteção de Crianças e Jovens em Risco.

A proposta procurou estabelecer uma ponte entre as teorias do desenvolvimento estudadas pelos alunos e a experiência prática do Reiki, apresentando esta terapia complementar como uma possibilidade de promover relaxamento, autoconsciência, equilíbrio emocional e bem-estar.

Uma ponte entre a Psicologia e o Reiki

As teorias do desenvolvimento procuram compreender a forma como o ser humano cresce, aprende, constrói a sua identidade, estabelece relações e se adapta às diferentes etapas e circunstâncias da vida.

O Reiki, por sua vez, propõe uma prática de cuidado centrada na pessoa, através da qual se procura favorecer um estado de maior serenidade, presença e equilíbrio.

Embora pertençam a campos diferentes, a Psicologia e o Reiki encontram-se em alguns objetivos comuns: a promoção do bem-estar, a consciência das emoções, a construção de relações mais saudáveis, a capacidade de adaptação e o desenvolvimento humano ao longo da vida.

Esta aproximação foi apresentada aos estudantes através de algumas das principais teorias abordadas na disciplina de Psicologia.

Carl Rogers: aceitação, autenticidade e crescimento pessoal

Na perspetiva humanista de Carl Rogers, cada pessoa possui uma tendência natural para crescer e desenvolver as suas potencialidades, sobretudo quando encontra um ambiente seguro, empático e não julgador.

Uma sessão de Reiki procura também criar um espaço de acolhimento, respeito e neutralidade. O praticante não impõe interpretações ou soluções, mas oferece presença e cuidado, permitindo que a pessoa permaneça em contacto consigo própria.

Esta atitude pode favorecer a autoconsciência, a autenticidade e o reconhecimento das necessidades pessoais — dimensões próximas da tendência atualizante proposta por Rogers.

Erik Erikson: identidade, confiança e autonomia

Erik Erikson compreendeu o desenvolvimento como um processo que atravessa toda a vida, marcado por diferentes desafios psicossociais.

Durante a adolescência, a construção da identidade assume uma importância particular. É uma fase em que surgem dúvidas, escolhas, expectativas sobre o futuro e uma maior necessidade de pertença e reconhecimento.

Ao proporcionar momentos de pausa e relaxamento, o Reiki pode ajudar os jovens a observar as suas emoções com maior tranquilidade. Não resolve os desafios próprios desta etapa, mas pode oferecer condições internas mais favoráveis para lidar com a ansiedade, a insegurança e os conflitos emocionais.

Henri Wallon: emoção, corpo e relação

Para Henri Wallon, o desenvolvimento humano resulta de uma relação constante entre emoção, movimento, corpo e interação social.

O Reiki convida a pessoa a dirigir a atenção para o corpo, para a respiração e para as sensações presentes. Durante uma sessão, podem surgir perceções de calor, tranquilidade, leveza ou relaxamento.

Esta consciência corporal pode ajudar os jovens a reconhecer a forma como as emoções se manifestam fisicamente e a compreender melhor as suas próprias reações.

Piaget e Vygotsky: condições para aprender

Jean Piaget destacou a construção progressiva do conhecimento, enquanto Lev Vygotsky salientou a importância da interação social, da linguagem e da mediação no processo de aprendizagem.

A ansiedade, o cansaço e a tensão emocional podem dificultar a atenção e a organização do pensamento. Por essa razão, a criação de momentos de serenidade no contexto escolar pode contribuir para que os alunos regressem às atividades com maior disponibilidade interior.

O Reiki não substitui os métodos pedagógicos nem constitui, por si só, uma estratégia educativa. Contudo, o estado de calma proporcionado pela experiência pode criar condições mais favoráveis para a concentração, a reflexão e a aprendizagem.

Bowlby e Harlow: segurança e vínculo

Os trabalhos de John Bowlby e Harry Harlow demonstraram a importância da segurança, do vínculo e do conforto no desenvolvimento humano.

Numa sessão de Reiki, a atitude calma do praticante, o respeito pelos limites da pessoa e a preparação de um ambiente seguro e acolhedor podem contribuir para uma sensação de confiança.

No contexto escolar, esta dimensão é particularmente relevante. Os jovens precisam de sentir que podem parar, respirar e ser acolhidos sem julgamento ou exigência de desempenho.

Bronfenbrenner e Baltes: desenvolvimento ao longo da vida

Urie Bronfenbrenner demonstrou que o desenvolvimento acontece através da interação entre a pessoa e os diferentes ambientes em que vive — família, escola, relações, comunidade e sociedade.

Paul Baltes, através da perspetiva life-span, salientou que o desenvolvimento continua ao longo de toda a vida e que o ser humano conserva capacidades de adaptação, transformação e aprendizagem.

Neste sentido, uma experiência de Reiki realizada na escola não deve ser observada isoladamente. Pode integrar-se numa visão mais ampla de educação para o bem-estar, ajudando os alunos a desenvolver recursos de autorregulação, resiliência e cuidado pessoal que poderão utilizar noutras fases da vida.

Da aprendizagem teórica à experiência

Foram realizadas duas sessões de Reiki com a turma de Psicologia B do 12.º ano. O ambiente foi preparado de forma tranquila e acolhedora, permitindo que os estudantes conhecessem o Reiki não apenas através de uma explicação conceptual, mas também pela experiência.

Apesar de terem sido apenas duas sessões, o professor responsável observou um estado significativo de relaxamento entre os participantes. Os alunos tiveram a oportunidade de fazer uma pausa na rotina escolar e de experimentar sensações de calma, conforto e segurança interior.

A iniciativa permitiu também demonstrar que o Reiki pode ser apresentado em contexto educativo de forma responsável, respeitando as crenças, a liberdade individual e o seu caráter complementar.

O testemunho do professor João Teixeira

No seu testemunho sobre a iniciativa, o professor João Teixeira destacou a preparação do espaço e a reação dos estudantes:

“Durante a sessão de Reiki, o ambiente foi preparado de forma acolhedora e tranquila, proporcionando uma sensação de paz e conforto. Ao longo da aplicação, foi possível perceber um profundo estado de relaxamento pelos intervenientes.”

O docente considerou que, apesar do reduzido número de sessões, a experiência foi benéfica para os estudantes:

“Durante as sessões, os estudantes tiveram a oportunidade de relaxar profundamente, favorecendo uma sensação de calma e segurança interior.”

O professor chamou ainda a atenção para os desafios vividos pelos jovens durante o ensino secundário, nomeadamente a pressão escolar, a ansiedade, as inseguranças, as mudanças emocionais e as expectativas relacionadas com o futuro.

Na sua perspetiva, práticas de relaxamento e cuidado como o Reiki podem apoiar dimensões importantes da vida escolar:

“A prática do Reiki pode contribuir para a melhoria da concentração, da qualidade do sono e da gestão das emoções, aspetos fundamentais para um melhor desempenho escolar e para relações interpessoais mais saudáveis.”

O documento não apresenta testemunhos individuais dos alunos, mas integra as observações do professor sobre o estado de relaxamento, calma e segurança demonstrado pela turma durante as sessões.

Educar é também ensinar a cuidar

A escola não é apenas um lugar de transmissão de conhecimentos. É igualmente um espaço onde os jovens constroem a sua identidade, aprendem a relacionar-se, enfrentam desafios e desenvolvem competências para a vida.

Criar momentos de pausa, escuta e tranquilidade pode ajudá-los a reconhecer as suas emoções e a compreender que o cuidado pessoal também faz parte do processo educativo.

O Reiki não substitui o acompanhamento médico, psicológico ou pedagógico. Enquanto prática complementar, pode integrar iniciativas de promoção do bem-estar, desde que aplicado por profissionais devidamente preparados, com consentimento, enquadramento adequado e respeito pela liberdade de cada participante.

Prémio Helena Tempera — Reiki em Escolas

Pelo seu contributo para a aproximação entre o Reiki, a educação e o desenvolvimento humano, este projeto recebeu o Prémio Helena Tempera — Reiki em Escolas, atribuído pela Associação Portuguesa de Reiki durante o seu 17.º Congresso Nacional de Reiki.

Esta distinção reconhece o trabalho desenvolvido por Gertrudes Grilo Coelho e pelo Núcleo de Reiki de Portalegre, assim como a disponibilidade da Escola Secundária de São Lourenço e do professor João Teixeira para proporcionar aos estudantes uma experiência educativa diferente, centrada na pessoa e no seu bem-estar integral.

Quando a Psicologia ajuda a compreender a mente, as emoções, o comportamento e as relações, e o Reiki convida à presença, à serenidade e ao cuidado, podem abrir-se novos espaços de reflexão sobre uma educação mais consciente, integrativa e humana.

Este projeto recebeu o PRÉMIO HELENA TEMPERA, REIKI EM ESCOLAS, da Associação Portuguesa de Reiki no seu 17º Congresso Nacional de Reiki.

A Associação Portuguesa de Reiki é uma Associação sem fins lucrativos para o apoio a praticantes de Reiki e esclarecimento sobre o Reiki em Portugal.

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