A apresentação que fiz nestas Jornadas de terapeutas de reiki, veio da continuação da apresentação nas 1ªas Jornadas, onde eu Magda e a Rosa apresentamos o nosso projecto “Sentir o Reiki.

Quando delineámos o nosso projecto, o primeiro objetivo, seria abranger as pessoas que recorriam ao Hospital de dia de Oncologia e que fizessem quimioterapia cujos efeitos secundários seriam difíceis de resolver. No entanto tínhamos como ambição, dar seguimento a este projecto para as pessoas que estivessem internadas nos serviços de Oncologia e Cuidados Paliativos. E o destino fez o seu curso natural, pois as pessoas que iniciaram o projecto no hospital de Dia, algumas tiveram internamentos no Serviço Oncologia por vários motivos, e uma vez que eram nossas utentes do Reiki, continuamos a fazer sessões de Reiki. Outras tiveram o Internamento mais prolongado e houve agravamento da situação clinica, e passaram para Cuidados Paliativos e suspenderam quimioterapia, mas como faziam parte do projecto, não quisemos retira-las, e ficamos com elas até ao final.

Não nos fazia sentido, desliga-las do projecto, deixa-mos que o Universo nos guiasse, e assim foi. Mesmo só sendo eu e a Rosa conseguimos dar conta do recado.

Quando o desfecho da história não é aquele que mais desejam, os doentes muitas vezes são os últimos a saber, são-lhes ditas meias verdades, meio a medo.

Os familiares por seu lado são bombardeados com toda a verdade sem filtros. E têm rapidamente de saber lidar com a realidade de forma a saber geri-la e a digeri-la para depois filtra-la e falarem com as pessoas quem amam. O que acontece muitas vezes é que a família não sabendo o que dizer ou fazer, afastasse, calasse. O que não se apercebem muitas vezes é que a própria pessoa doente sabe muito bem o que se passa e também ela esta a tentar gerir a verdade.

Para nós que somos enfermeiras, é mais fácil apercebermo-nos deste ambiente de silêncio, e sofrimento. É mais fácil, observarmos as fases de revolta, negação, negociação, tristeza.  E além de enfermeiras como terapeutas de Reiki, pudemos dar nomes ao medo que tanto a pessoa doente quanto o familiar sentiam, pudemos explicar que não fazia mal ter medo, para assim ajudar a aliviar a ansiedade. Pudemos dizer aos familiares que o silencio os afastavam mais, e que era importante não perderem tempo uns dos outros.

Nesta fase conhecemos alguns familiares que os nossos utentes tanto falavam nas sessões de Reiki. Havia mais confiança.

Como confiamos no universo, ele nos providenciou tudo o que precisávamos. Nas fases mais complicadas dos utentes dos cuidados paliativos, por algum motivo os utentes do Hospital de Dia desmarcavam as sessões, porque não lhe dava jeito, ou porque se ausentavam do Algarve. Então houve momentos em que conseguíamos fazer reiki semanalmente, e também porque como estavam internados nós geríamos o tempo de outra forma.

Fomos como uma ponte entre os familiares e os doentes. Ajudamos a criar um ambiente mais sereno. Envolvemos a família na magia do Reiki. Convidando-os a assistir. Dando-lhes espaço e tempo para eles próprios terem tempo para eles enquanto fazíamos reiki.

A Rosa teve a oportunidade de fazer reiki durante um procedimento doloroso, quando a doente lhe pediu, pois a deixava mais calma.

Dentro das nossas competências profissionais, utilizando os princípios do reiki, ajudámos algumas pessoas a libertarem-se de alguma bagagem que carregaram durante muitos anos, através do perdão e aceitação de alguns acontecimentos menos positivos das suas vidas.

Com os princípios do reiki, falamos da importância do aqui e agora.

A nossa sociedade e cultura vêm a Morte com muito sofrimento e dor. E há a tendência de culpar os outros por esse sofrimento. Houve momentos de grandes partilhas e algum alívio.

Sabemos da nossa experiencia profissional que a forma como a pessoa morre vai influenciar directamente na forma como os familiares lidam com a perda e fazem o seu processo natural do luto.

Assistirem a uma morte serena e em paz, e saberem que fizeram tudo o quanto lhes foi possível. Saber que não haveria outro final possível, ajuda-os a seguirem os seus caminhos de forma mais serena.

E de fato, mesmo com muita dor, mas uma dor diferente, de saudade, assistimos a momentos muito bonitos. As sessões de reiki, também serviram como momentos de conversas, de partilhas de vida, de aproximações de desabafos como AMO-TE, quando muitas vezes ficaram por dizer. De confiança em nós. A própria magia do amor do reiki proporcionou paz e serenidade.

Desde o principio, mesmo sem sabermos as dimensões emocionais e as experiencias tão profundas que este projecto nos iria proporcionar, tínhamos a certeza, de não querer que as sessões de reiki fossem apenas aquela hora em que as pessoas estavam deitadas e nós percorremos as nossas mãos pelo corpo e depois levantavam-se e iam a sua vida.

Nós sabemos que o reiki não é só o ato de impor as mãos, o reiki é uma forma de viver e sentir com amor. O que nos aquece o coração é saber que com a energia do reiki, as pessoas puderam permitir-se passar para o outro lado da vida mais serenas, e os seus familiares que tiveram contato com esta energia, e que para muitos eram completamente desconhecida, também não ficaram indiferentes. Chegamos a fazer reiki a uma familiar após a morte do seu ente querido.

Magda Fernandes – Hospital de Faro

jornadas de terapeutas de reiki geral