Este é um testemunho sobre a aplicação de Reiki em seniores pelo nosso associado Luís Martins Morais.

O trabalho com Seniores é por si só um privilégio, mas se a estes tivermos a possibilidade de dar a conhecer o Reiki, os frutos gerados serão ainda mais saborosos.

Claro que neste caso estamos a falar do Reiki quer como sessão terapeutica propriamente dita, quer como filosofia de vida.

No que diz respeito à procura de uma sessão de Reiki, existe ainda, no contexto sénior, algum desconhecimento, que incita a algum receio e confusão com outras práticas, mais ligadas ao campo da superstição. Por outro lado, a comum ligação a uma religião, leva a um sentimento de incompatibilidade e receio do “castigo”, associado comummente à vivência de uma fé popular.

Felizmente, quer por núcleos de Reiki, que trabalham voluntariamente e cada vez mais próximos da comunidade, quer pela promoção de algumas instituições, com valências na área sénior, o Reiki chega de forma informada a mais população idosa.

Lembrando que o Reiki trabalha nos campos físico, mental, emocional e espiritual, será uma ferramenta muito completa no equilíbrio holístico do idoso.

Desmontando estes quatro campos, são evidentes os benefícios da aplicação da terapia Reiki.

Campo físico – O envelhecimento está associado a uma maior debilidade física. O envelhecimento celular e a lentificação da replicação celular tornam menos eficiente a renovação de tecidos. O sistema circulatório, no idoso perde também alguma capacidade, deixando de irrigar com eficácia algumas partes do organismo. Durante uma sessão de Reiki, pela prática do Byosen, são evidentes estes desequilíbrios energéticos, que com continuidade poderão ser amenizados, trazendo vitalidade ao organismo do idoso.

Campo mental – Considerando um envelhecimento não patológico, também ao nível cerebral existe envelhecimento celular (neurónios), bem como as ligações entre si. Este processo traduz-se na lentificação da velocidade de processamento do idoso, trazendo cansaço, que se pode manifestar em dor física e/ou confusão. A aplicação de Reiki, neste campo permite transmitir alguma tranquilidade profunda e redução das manifestações físicas.

Campo emocional – O estado emocional do idoso, pode ser bastante instável, por um lado, cada idoso tem em si guardada uma quantidade imensa de vivências sob a forma de emoções, por outro lado, por vezes a dificuldade ou inadequação de expressão faz com que as emoções se manifestem de forma descontrolada. A aplicação de Reiki, neste contexto pode por um lado ajudar à libertação de emoções reprimidas e por outro permitir que as mesmas sejam expressas com mais tranquilidade. De referir que este processo, mais do que os outros exige um acompanhamento mais próximo e permanente do idoso. As emoções libertadas devem ser encaminhadas em conjunto, para qua não se traduzam em frustração para quem se permite descobrir.

Campo espiritual – A prática do Reiki, abre novos horizontes ao nível espiritual, o que para o idoso é em parte dos casos uma descoberta, que se torna maravilhosa com o passar do tempo. Uma boa parte dos idosos cresceu no seio de uma espiritualidade hierarquizada e distanciada, com orações formuladas e rituais definidos. Com esta prática dá-se uma abertura para uma relação estreita com o Universo ou “Ser superior” que vem preencher a sua vida, conferindo segurança e conforto.

Também a vivência pelos 5 Princípios, se tem mostrado uma fonte de maravilhosos benefícios nesta fase da vida.

“Só por hoje…” – Com o passar dos anos a perspetiva sobre a longevidade vai-se invertendo, isto é, os anos vividos, dão lugar aos anos que faltam viver, pelo que trabalhar com o idoso o “aqui e agora” é muito importante para que a finitude possa ser trabalhada com harmonia e aceitação.

A sombra do que se viveu e expetativa (receio) do que virá, impossibilita muitas vezes que o idoso viva o “hoje”, com o que ainda consegue fazer. Desta forma e respeitando toda a “bagagem” do idoso deve ser feito este trabalho, para que este mantenha a sua autonomia e não se desvie do caminho da felicidade.

“…sou calmo” – Estão patentes na personalidade do idoso uma série de preocupações e inquietações, que acabam por o desviar das coisas essenciais à sua felicidade. Transmitir um sentimento de calma e tranquilidade dará ao idoso a possibilidade de viver em pleno as suas experiências diárias e tirar delas o maior proveito.

“…confio” – Toda a vida o idoso foi chamado às suas responsabilidades. Dele dependeu o decurso da sua vida. Das suas escolhas, do seu trabalho, do seu cuidado, entre outros. É agora importante transmitir que nem tudo é do seu domínio. É preciso confiar e confiar-se aos cuidados e ao apoio de quem de si é responsável.

“…sou grato” – Estar agradecido por aquilo que se é, é uma prova de que se está em sintonia positiva com aquilo que se vivenciou. É importante auxiliar o idoso a trabalhar a sua aceitação. Como cuidadores não nos podemos dar como exemplo, de modo a não desvalorizar o sentimento que o idoso tem sobre aquilo porque passou, mas com empatia e amor, podemos ajudar a chegar a bom porto, na gratidão pelas coisas boas e na aceitação como aprendizagem as coisas menos boas.

“…trabalho honestamente” – O idoso não deve, no entanto, deixar de sentir responsável por si próprio, na medida do possível. Quando se fala neste ponto em trabalho, não se refere à profissão, mas sim à criação de uma disciplina de autocuidado, coerente consigo. Isto é, o idoso deve adaptar  de forma ativa uma rotina, que lhe permita manter a sua qualidade de vida, nas suas dimensões física, mental, emociona e espiritual, sendo honesto com os seus valores e pricípios.

“…sou bondoso” – Apesar de todo o trabalho que é feito ao longo no acompanhamento com o idoso, é importante que ele seja bondoso e tolerante consigo próprio. A imperfeição é uma condição humana mas pode acima de tudo ser uma nova oportunidade para a nossa mudança, que pode ser feita ao longo de TODA a vida.

Luís Martins Morais